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Alminhas do concelho de Braga em exposição no Museu Pio XII

Alminhas do concelho de Braga em exposição no Museu Pio XII
Fotografia

Publicado em 12 de novembro de 2022, às 09:45

Rusga de S. Vicente de Braga mostra dez anos de trabalho.

A Rusga de S. Vicente inaugurou ontem ao fim do dia a exposição “Alminhas – Um património a salvaguardar, divulgar e promover” no salão nobre do Museu Pio XII, uma mostra que é expressão do trabalho realizado ao longo dos últimos dez anos e que permitiu já a identificação de 125 Alminhas no concelho de Braga.

Na sessão de inauguração, o presidente da Rusga de S. Vicente – Grupo Etnográfico do Baixo Minho sublinhou que o projeto tem a orientação científica da doutora Aida Mata e que, no próximo ano, o material reunido será editado em livro.

Segundo José Pinto, «a dimensão desta transcendência traduzida para a religiosidade popular é aquilo que é o nosso objeto de trabalho e de estudo». «Este projeto já leva dez anos e tem como propósito último uma publicação em livro que, inicialmente, era uma coisa modesta, mas que, com dez anos de trabalho, com quatro serões tertúlias dedicados a esta temática, vai ser um trabalho bem mais completo», acrescentou.

José Pinto salientou ainda que a exposição, que pode ser apreciada até 8 de janeiro do próximo ano, mostra nichos de almas apenas do concelho de Braga. «Desde a feitura do texto introdutório até hoje descobrimos uma Alminha nova muito recente numa edificação acabada de fazer e cujo proprietário se lembrou de pôr um nicho de Almas. Lá em cima faz referência a 124 nichos, mas nesta altura são já 125», salientou o presidente da direção da Rusga de S. Vicente.

O diretor do Museu Pio XII lembrou, por sua vez, que este é o mês da Almas e, por isso, esta exposição faz todo o sentido neste espaço museológico. Segundo explicou o Cónego José Paulo Abreu, o povo tem uma devoção expressa às Alminhas. «E as Alminhas são aqueles que já por aqui andaram e agora por aqui continuam a andar, mas com um cabide diferente, com um figurino diferente», disse.

O sacerdote explicou ainda que esta devoção espelha-se em muitas coisas, nomeadamente nos nichos, nas bandeiras ou em representações esculturais, tendo a Rusga de S. Vicente tido o trabalho de «reunir este pulsar crente do nosso povo que acredita que a Igreja em trânsito e a Igreja Celeste continuam unidas à Igreja Terrestre, a este gente que somos nós».


Autor: José Carlos Ferreira