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Museu dos Biscainhos reabriu salão nobre após intervenção na pintura do teto

Museu dos Biscainhos reabriu salão nobre após intervenção na pintura do teto
Fotografia DR

Redação

Publicado em 07 de outubro de 2026, às 15:09

Recuperação, financiada pelo PRR, representou um investimento na ordem dos 60 mil euros

O Museu dos Biscainhos abriu, esta segunda-feira, as portas do seu salão nobre para dar a conhecer o resultado da intervenção efetuada na pintura do teto daquela divisão do Palácio salvaguardando assim um património com três séculos.

A recuperação foi financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e representou um investimento de aproximadamente 60.000 euros + IV,  incidindo assim sobre um dos elementos mais emblemáticos do museu: a pintura do teto do Salão Nobre, datada de 1724 e atribuída a Manuel Furtado de Mendonça.

Trata-se de uma obra de excecional valor artístico, histórico e simbólico, reconhecida como um importante testemunho da pintura decorativa barroca em Portugal. Encomendada por Francisco Pereira da Silva, então Deão da Sé Primaz de Braga e Senhor da Casa dos Biscainhos, a pintura assinala o centenário do martírio do Beato Miguel de Carvalho, jesuíta bracarense martirizado no Japão em 1624, conferindo-lhe uma forte dimensão memorial e espiritual.

O avançado estado de degradaçãornou esta intervenção imprescindível, permitindo estabilizar os suportes, salvaguardar a integridade da pintura e valorizar os seus elementos decorativos, garantindo a sua preservação para as gerações futuras e reforçando a qualidade da experiência dos visitantes.

Esta semana o Salão Nobre reabriu assim com o teto num esplendor de cor e de conteúdo que o afirma como uma das principais obras setecentistas em Portugal e cujo tema - o martírio de Miguel de Carvalho, faz dele um património único em Portugal.

Com esta obra, o Palácio dos Biscainhos reafirma o seu compromisso com a proteção e valorização do património cultural, contribuindo para a preservação da memória histórica de Braga e do país. sobre o Salão Nobre Espaço de aparato por excelência, o Salão Nobre foi, no século XVIII, o principal cenário de representação social do Palácio, destinado à receção de convidados, cerimónias e festividades. A sua decoração constitui um notável exemplo do ideal barroco de Arte Total, conjugando pintura, azulejaria e talha num programa integrado. Destaca-se a pintura do teto abobadado, datada de 1724 e atribuída a Manuel Furtado de Mendonça, que assinala o centenário do martírio do jesuíta bracarense Miguel de Carvalho, ocorrido em Omura em 1624. 

A composição exalta a figura do missionário e evoca um capítulo singular das relações entre Portugal e o Japão, testemunhando a presença portuguesa no Extremo Oriente e a ação evangelizadora desenvolvida naquele território. O conjunto é complementado pelo revestimento azulejarrepresentativo do Ciclo dos Mestres (1695-1725), período áureo da azulejaria portuguesa, e pela exuberante talha barroca, expressão da vitalidade artística do Minho. Nas paredes destacam-se ainda retratos de membros da família real portuguesa, reforçando a ligação simbólica das elites à Coroa e a afirmação do seu estatuto social. sobre o beato Miguel de Carvalho Nascido em Braga em 1579, entrou na Companhia de Jesus em 1597, tendo sido missionário em Goa, Macau e posteriormente Japão, onde viria a morrer queimado na fogueira a 25 de agosto de 1724, devido à intolerância religiosa que reinava no Japão neste período. 

Em 1724 o Deão Francisco Pereira da Silva, senhor da Casa dos Biscainhos, e sobrinho neto de Miguel de Carvalho, manda imortalizar numa pintura do teto do Salão Nobre, de autoria de Manuel Furtando Mendonça, o martírio deste seu antepassado. A 7 de maio de 1867 o Papa Pio IX beatífica Miguel de Carvalho, sendo a sua festa litúrgica no dia do seu martírio.