A criadora da metodologia EKUI, Celmira Macedo, defendeu hoje que a reversão da queda nos resultados do PISA passa por um investimento estrutural na educação pré-escolar, fundamentando a sua posição num estudo científico desenvolvido pela Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa (UCP) – Braga, em articulação com a Universidade da Beira Interior.
O alerta surge na sequência da divulgação dos dados do PISA 2025 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que confirmam um recuo no desempenho dos estudantes portugueses de 15 anos na leitura e na matemática para níveis próximos de 2006, com cerca de 28% dos jovens abaixo do nível mínimo de proficiência.
A investigação conduzida pela UCP Braga, focada em crianças dos três aos cinco anos, comprovou o impacto decisivo da metodologia multissensorial e inclusiva — que associa o alfabeto fonético, a língua gestual, o código Braille e a motricidade — no desenvolvimento infantil. Segundo os dados apurados pela academia bracarense, o ganho mais expressivo registou-se aos cinco anos, idade em que o grupo submetido ao método EKUI evoluiu de 30,77 para 65,69 pontos nas provas de consciência fonológica, traduzindo uma progressão média de 34,92 pontos, face aos 11 pontos registados pelo grupo de controlo.
Os investigadores da Universidade Católica de Braga sublinham ainda que a intervenção permitiu uma redução da variabilidade dos resultados, gerando um «efeito nivelador» em que as crianças com níveis de desempenho inicial mais baixo se aproximaram das restantes. Para Celmira Macedo, esta conclusão científica obtida em Braga assume especial relevância num cenário em que o PISA evidencia uma forte ligação entre a origem socioeconómica e o insucesso escolar, demonstrando que o método abre caminho à igualdade de oportunidades.
Complementarmente, a avaliação da Universidade da Beira Interior, que integrou a amostragem global de mais de 1.500 crianças analisadas por ambas as instituições, revelou que o desenvolvimento da comunicação e linguagem no pré-escolar foi mais do que o dobro no grupo EKUI, com um avanço de 11,97 pontos face aos 5,3 do grupo de controlo, registando-se dinâmica idêntica no 1.º ciclo, com 20,36 pontos contra 8,8.
Distinguida na Finlândia como uma das melhores inovações educativas do mundo e apoiada pelo Portugal Inovação Social e pela Sonae, a metodologia demonstra a importância de atuar nos primeiros anos de escolaridade. Como sintetiza a sua fundadora, o PISA expõe as carências aos 15 anos, mas o trabalho científico desenvolvido pela UCP Braga indica que as desigualdades podem ser mitigadas se o investimento na alfabetização emergente começar logo no ensino pré-escolar.