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Festas de Samiguel de Cabaços 2026 inspiradas em São Francisco de Assis

Festas de Samiguel de Cabaços 2026 inspiradas em São Francisco de Assis
Fotografia

Francisco de Assis

Jornalista

Publicado em 09 de setembro de 2026, às 14:35

Evento da paróquia do Arciprestado de Ponte de Lima realiza-se de 19 a 27 de setembro

A freguesia e paróquia de São Miguel de Cabaços, Arcirestado de Ponte de Lima, preparam-se para as festas de Samiguel 2026, agendas para o final deste mês de setembro, sendo os dias fortes 19, 20, 26 e 27. Realizadas durante o denominado “Tempo da Criação”, que vai até ao dia 4 de outubro, este ano as festividades são ser inspiradas em São Francisco de Assis.

Em nota de imprensa enviada ao Diário do Minho, o padre Paulo Emanuel, pároco de São Miguel de Cabaços, fala das maiores festas da freguesia e estabelece a diferença entre as outras festas e esta de S. Miguel de Cabaços.

«Há festas que se fazem de luzes, música e multidões. E há outras que se constroem de algo mais profundo: de memória, de pertença, de fé e de gratidão. O Samiguel de Cabaços, em Ponte de Lima, pertence a estas últimas. Mais do que celebrar o seu Padroeiro, São Miguel Arcanjo, Cabaços procura, todos os anos, reencontrar nas suas raízes aquilo que durante séculos deu forma à vida das suas gentes: a terra, o trabalho, a fé, a entreajuda, a família e a comunidade. E talvez não seja por acaso que esta festa acontece em setembro», frisa.

No comunicado, o padre Paulo Emanuel contextualiza que, no dia 1 de setembro, a Igreja assinala o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, dando início ao chamado Tempo da Criação, que se prolonga até 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis. É um tempo que convida os cristãos a olhar de novo para a terra, para os animais, para as plantas, para a água, para aquilo que nasce, cresce e dá fruto, reconhecendo em toda a Criação um dom recebido e confiado às mãos do ser humano. «É precisamente neste tempo que Cabaços celebra o seu Samiguel».

 

Festa que nasce 
da terra e se eleva ao Céu

Assim, em Cabaços, a comunidade celebra Samiguel regrassando à terra.

«Regressa-se aos campos para cortar o milho. Voltam os cestos, as espigas, as concertinas e os cantares. Volta a grande desfolhada, com os mais novos e os mais velhos sentados lado a lado, repetindo gestos que atravessaram gerações. Procura-se o milho-rei, ri-se, canta-se, ata-se a palha e faz-se a moreia. No final, como tantas vezes acontecia antigamente, chega a ceia para quem trabalhou. Dias depois, voltam a pegar-se nos cestos para a vindima», descreve o sacerdote da Paróquia de São Miguel de Cabaços.

No texto enviado ao Diário do Minho, padre Paulo Emanuel recorda as muitas etapas antes do fruto.

«Antes de chegar o fruto, houve quem podasse, sulfatasse, amparasse a vinha, limpasse as ervas e cuidasse dos cachos. E, quando finalmente chegam as uvas, elas são pisadas no lagar, numa lagarada à moda antiga, onde o vinho nasce, uma vez mais, do encontro entre o fruto da terra e o trabalho das mãos humanas. É esta talvez uma das imagens mais belas da festa, considera».

E o padre explica porque: «Porque aquilo que chega à mesa não nasce na prateleira de uma loja. Antes do pão houve a semente. Antes do vinho houve a videira. Antes da espiga houve a terra preparada, o milho semeado, a chuva esperada, o sol desejado e muitas horas de trabalho silencioso».

 

Cortejo das Primícias

O pároco considera que o Samiguel recorda aos cristãos e aos homens em geral a importância do tempo e trabalho silencioso. «Recorda-nos aqueles homens e mulheres que conheciam o tempo não pelas horas do relógio, mas pelas estações do ano. Que sabiam quando semear, quando mondar, quando colher e quando agradecer. Gente para quem a natureza não era cenário, mas sustento; não era decoração, mas companheira de todos os dias».

Por isso, sustenta o padre Emanuel, no domingo, os camponeses voltam simbolicamente ao adro com o Cortejo das Primícias.

«Levam consigo os primeiros e melhores frutos do seu trabalho e oferecem-nos à comunidade. Não se trata apenas de mostrar aquilo que a terra produziu. Trata-se de reconhecer que ninguém é verdadeiramente dono de tudo aquilo que recebe», enaltece.

E o pároco de São Miguel de Cabaços termina o comunicado com uma espécie de dito popular sobre a festa das colheitas.

«A terra dá, o homem trabalha, Deus abençoa — e a comunidade agradece», enfatiza.