twitter

Ambientalistas alertam para má qualidade do ar na Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires

Ambientalistas alertam para má qualidade do ar na Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires
Fotografia Arquivo DM

Redação/Lusa

Publicado em 07 de setembro de 2026, às 11:49

Artéria está entre as zonas urbanas portuguesas com maior concentração de dióxido de azoto

A Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires voltou a ser apontada como um dos casos mais graves de má qualidade do ar nas zonas urbanas portuguesas. A Associação Zero e o Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) referiram esta avenida bracarense como sendo um dos locais em que se ultrapassa o limite legal anual de dióxido de azoto (NO₂), e que  regista significativas maiores concentrações deste poluente associado sobretudo ao tráfego automóvel.

O alerta partiu da associação Zero e do Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA), que afirmaram hoje, no Dia Internacional do Ar Limpo, que «os dados oficiais definitivos mais recentes, referentes a 2024 e disponíveis no sistema de informação QualAr, da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente, confirmam que o dióxido de azoto (NO₂) continua a ser um poluente crítico nas zonas urbanas».

Segundo as duas organizações os casos mais graves, em 2024, registaram-se nas estações de medição "da Avenida da Liberdade, em Lisboa, e de Frei Bartolomeu Mártires, em Braga, onde a concentração média anual de NO₂ voltou a ultrapassar o valor-limite atual de 40 μg/m³[micrograma por metro cúbico]".

Já em 2025, segundo dados provisórios, "a Avenida da Liberdade registou 40,3 μg/m³, cumprindo o limite apenas por efeito de arredondamento", um resultado que as organizações atribuem "provavelmente a condições meteorológicas mais favoráveis, à dispersão de poluentes e à renovação do parque automóvel, e não a medidas de política pública especificamente destinadas a melhorar a qualidade do ar".

Em 2024, "verifica-se que sete das 16 estações de tráfego (43,8%) ultrapassaram os 20 μg/m³ e 15 das 16 (93,8%) ultrapassaram os 10 μg/m³ em 2024".

Estes números estão acima do valor-limite anual para 2030 previsto na Diretiva (UE) 2024/2881 (20 μg/m³) e do valor de referência anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (10 μg/m³), sendo que as estações que registaram valores acima de 20 μg/m³ "eram estações de tráfego".

"O transporte rodoviário mantém-se como uma das principais fontes de poluição atmosférica em meio urbano, contribuindo para níveis elevados de dióxido de azoto, partículas finas e partículas inaláveis, bem como para a formação de ozono troposférico, o que torna incontornável a intervenção neste setor", apontam.

As duas organizações manifestam ainda preocupação com o reforço da rede de monitorização, já que "a nível nacional, são poucas as estações que monitorizam as partículas finas (PM2,5), o que limita seriamente a capacidade de avaliar se a população portuguesa, em particular a que vive em meios urbanos, está efetivamente exposta a concentrações superiores às recomendadas".

Esta lacuna deverá ser suprida com a transposição da Diretiva europeia, que "tem de ser transposta para a legislação nacional até 11 de dezembro e, até 2030, Portugal terá de cumprir valores-limite para diversos poluentes muito mais exigentes do que os atuais".

"Com menos de quatro anos até 2030, o Governo e as autarquias têm uma janela cada vez mais estreita para inverter esta trajetória”, alertam as organizações para quem é “urgente aplicar medidas de redução do tráfego e de restrição aos veículos mais poluentes”.

Defendem ainda que deve ser promovida a eletrificação dos veículos pesados e da logística e complementar estas ações com soluções baseadas na natureza, como a criação e qualificação de espaços verdes urbanos, corredores arborizados e outras infraestruturas verdes, contribuindo para cidades mais resilientes e para uma menor exposição da população.

Pedem ainda o envolvimento da sociedade civil tal como já aconteceu em Espanha, França, Alemanha e Suécia, pois "em Portugal, este passo continua por dar e o tempo disponível esgota-se rapidamente".

Estima-se que em Portugal "a poluição do ar cause cerca de 4.200 mortes prematuras por ano — o equivalente a 12 óbitos por dia —, sendo a grande maioria evitável caso fossem cumpridos os valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde".

"A poluição do ar já é considerada o terceiro maior fator de risco para a mortalidade global, logo depois da poluição em geral e do tabagismo", referem.