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Arcebispo de Braga enaltece contributo histórico do livro “O Império das Sombras”

Arcebispo de Braga enaltece contributo histórico do livro “O Império das Sombras”
Fotografia DR

Redação

Publicado em 12 de julho de 2026, às 18:00

Obra de Fernando Pinheiro foi apresentada na Igreja de S. Francisco, em Real

Foi num ambiente informal e de forte envolvência comunitária que decorreu, na sexta-feira à noite, a apresentação do romance “O Império das Sombras”, do escritor Fernando Pinheiro. 


Durante a tertúlia literária, no átrio da sacristia da igreja de São Francisco, em Real, no âmbito da Feira Quinhentista, o Arcebispo Metropolita de Braga enalteceu o contributo dado pelo autor para a compreensão dos processos históricos que estiveram na base da criação do tribunal do Santo Ofício e da perda, restauração e defesa da independência de Portugal, face a Espanha, no período situado entre os anos de 1580 e 1668.
Enquadrando no tempo o papel desempenhado pela Inquisição, instituída em Portugal em 1536, D. José Cordeiro lembrou a vaga de heresias que submergiu a Europa durante as Idades Média e Moderna, cujo combate exigiu o estabelecimento de uma aliança entre o poder religioso e político, tendo em vista o controlo e a estabilidade social nos países católicos, mas cujas medidas viriam a afetar algumas minorias não alinhadas com a ortodoxia vigente.


Na sua qualidade de anfitrião, o cónego Hermenegildo Faria, depois de ter saudado os oradores e a assembleia, composta por várias dezenas de pessoas, agradeceu toda a colaboração que o autor tem dispensado à paróquia de São Jerónimo de Real, não só no plano litúrgico, como também no plano cultural, mercê das recriações históricas por si dirigidas, sobre o património simbólico e religioso da paróquia.


Já no que concerne a vertente literária, o ex-presidente da União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, Francisco Silva, debruçou-se sobre as várias camadas textuais da obra em apreço, desde o histórico ao ficcional, passando pelo mitológico e pelo enquadramento filosófico e mental da época. Depois de resumir os principais eixos temáticos da narrativa, referindo a ação das personagens principais, fez o levantamento da riquíssima literariedade da obra, nos seus aspetos retóricos, estilísticos e semânticos.


Já o autor, Fernando Pinheiro, revelou aspetos da sua relação pessoal para com a paróquia de Real, que lhe deu, nas suas palavras, «um banho de humanidade que muito lhe faltava, depois de ter perdido a humanidade da sua aldeia natal». 
Em jeito de conclusão, não só apoiou as palavras de D. José Cordeiro, que disse que a Inquisição também serviu ao Estado, tanto mais que D. Manuel I e D. João III a pediram a Roma, como reclamou a construção de um memorial aos reis suevos e outro aos arcebispos de Braga, por razões que sustentou. 
Terminou reiterando agradecimentos a todos quantos saíram em defesa de um romance que rende um sentido tributo ao povo português, que muito lutou e sofreu num período negro para a história do país e da Igreja.