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Investigadores internacionais procuram em Braga soluções para a desinformação

Investigadores internacionais procuram  em Braga soluções para a desinformação
Fotografia DM

Carla Esteves

Jornalista

Publicado em 06 de julho de 2026, às 15:55

A Universidade do Minho (UMinho) acolhe, até 9 de julho, o XIX Congresso IBERCOM

Cerca de três centenas de investigadores de Portugal, Espanha e América Latina encontram-se, a partir de hoje, reunidos na Universidade do Minho (UMinho) para discutir o futuro da comunicação no mundo ibero-americano, dando especial ênfase aos desafios impostos pela sociedade atual, em particular o combate à desinformação digital. Este e outros temas estão a ser debatidos no âmbito do XIX Congresso IBERCOM- Congresso Ibero-americano de Ciências de Informação, uma organização da da ASSIBERCOM – Associação Ibero-Americana de Investigadores de Comunicação e do CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, que decorre até ao dia 9 de julho.

O desafio ao combate à desinformação digital partiu do próprio reitor da UMinho, Pedro Arezes, que, durante a sessão de abertura do congresso, no campus de Gualtar, instou os investigadores ibero-americanos ali reunidos a debruçarem-se em conjunto sobre  «um dos desafios principais da comunicação, quer no contexto ibero-americano, mas também global, que é o combate à desinformação digital, sendo que ela tem outras ramificações».

«A rápida circulação de notícias falsas nas redes sociais influencia, decididamente, a opinião pública, como melhor saberão do que eu, mas, sobretudo, tem intensificado, e isso é visível, a polarização política e, sobretudo, mais preocupante, fragilizando as várias democracias», argumentou o reitor da UMinho.

Para Pedro Arezes «este cenário exige uma investigação sólida sobre a literacia mediática, sobre regulação digital e sobre práticas comunicacionais contemporâneas».

«E é precisamente por isso que depositamos muita esperança no contributo do conhecimento científico e da reflexão crítica, para ajudar a enfrentar estes problemas e construir soluções, que sejam elas coletivas também», argumentou.

Deixou, por isso, um apelo aos investigadores  para que, nestes dias, proporcionem debates que sejam, inspiradores, e para que se estabeleçam, também novas parcerias científicas.

Teresa Ruão, membro da direção da SOPCOM- Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, salientou o caráter «verdadeiramente identitário neste universo geográfico da investigação Ibero-Americana», apesar das realidades políticas, mediáticas e sociais dos países ibéricos e latino-americanos serem profundamente distintas entre si.

«Para a SOPCOM, a relação com ASSIBERCOM e com as Associações Investigadoras do Espaço Ibero-Americano tem uma importância que vai muito além de uma mera cortesia protocolar. Portugal e a comunidade lusófona não podem, nem devem, pensar em investigação em Ciências da Comunicação de costas voltadas para o mundo Ibero-Americano», afirmou.

 

Cooperação

Espaço Ibero-americano tem massa crítica para influenciar investigação internacional

O presidente da ASSIBERCOM, Moisés de Lemos Martins, defendeu, ontem, que faz sentido falar de uma comunidade Ibero-Americana transnacional e transcultural de cooperação no mundo Ibero-Americano. 

Partilhou assim a visão de Teresa Ruão, que defendeu, na sua intervenção, que «o espaço Ibero-Americano tem conhecimento próprio, tem massa crítica e tem originalidade suficiente para influenciar as agendas de investigação internacionais e não apenas para ser influenciado por elas».

Durante a sessão de abertura, o professor jubilado da UMinho mencionou também  a «crise permanente de cultura» que atualmente se vive», a par da transição de uma civilização literária para uma civilização tecnológica e de uma civilização da escrita e da razão para uma civilização da imagem e das emoções.

«O verbo foi substituído pela imagem e o pensamento pela emoção», afirmou  o investigador, salientando  também os perigos da globalização que se verifica nas várias dimensões da vida humana».