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Roteiro pelas decorações do São de João de Braga é um estímulo a cuidar do seu coração

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Fotografia DM

Publicado em 13 de junho de 2026, às 02:55

Caminhada contemplativa deve incluir água e as paragens para ganhar fôlego permitem observar paisagens especiais

É logo na entrada da Avenida da Liberdade - para quem circula no sentido Guimarães-Braga - que se começa a desenhar o percurso dos elementos decorativos que distinguem Braga das restantes festividades sanjoaninas. 

A imagem de São Baptista e do cordeiro domina a rotunda da entrada no “coração” de Braga, fazendo esquecer a pressão do trânsito automóvel. Afinal o roteiro deve, a partir daqui, ser cumprido a pé e sem a pressa que merece a caminhada contemplativa. Com água para prevenir a insolação e garantir a hidratação necessária, a uma caminhada que o coração agradece.   

Passada a rotunda, torna-se imperioso virar à esquerda e adentrar no emblemático Parque de São da Ponte. Afinal, a entrada do espaço verde mais famoso de Bracara Augusta é dominada pela capela dedicada a São João, na qual vai decorrer grande parte das celebrações religiosas do vasto programa com que a Igreja de Braga enriquece umas festividades que a “cidade dos arcebispos” sacralizou, contra os maiores fervores anticlericais que, ao longo dos séculos, animaram a luta de movimentos “nihilistas” contra uma civilização da esperança, ora vestindo a roupagem do ideário liberalista, ora preconizando a trilogia despudorada de “Deus, Pátria e Família”, que foi propaganda de um regime que fez tábua rasa dos mais elementares valores humanistas e dos mais exigentes valores cristãos.

Sem nunca perder de vista que o sentido da caminhada é a contemplação, bem pode o caminhante aventurar-se na descoberta dos valores da Casa Comum, que o interior do Parque de São João da Ponte evidencia. E como ainda não estamos no tempo das cascatas que vão dar uma nova vida ao rio Este, a proposta é aventurar-se na subida da Avenida da Liberdade, já devidamente ornamentada. Escusado será dizer que a vista não é tão agradável como a contemplação no sentido descendente. Mas, convenhamos, que nunca devemos desdenhar aquilo que queremos apreciar.

O desvio para a área do antigo hospital de São Marcos, agora dominada pelo Centro Interpretativo da Santa Casa da Misericórdia de Braga, permite o contacto com o figurativo que envolve o largo fronteiro à igreja de Santa Cruz. Aqui, impõe-se um olhar de antecipação para agora desempoeirada Rua do Janes, que vai desembocar na incontornável “A Brasileira”.

A subida em direção ao largo que confronta com as famigeradas “frigideiras do cantinho” - Braga tem a cada esquina propostas degustativas que não se devem negligenciar - aconselha a uma entrada pela rua lateral da Sé Primacial. Também aqui os motivos alusivos à festa sanjoanina fazem a diferença, embora estejamos longe da espetacularidade que proporciona a subida da emblemática rua D. Diogo de Sousa. 

O anúncio da diferença cromática é feito logo na entrada da Porta Nova, onde o São João de Braga se começa a revelar com maior esplendor. No primeiro terço da rua, justifica-se o desvio à esquerda para se verificar que até os Paços do Concelho - sede da Câmara Municipal de Braga - trajam agora as vestes coloridas que contrastam com o rigor do tempo menos cromático que exige a gestão de todos os dias. Afinal, até o cheiro e o colorido da festa do São João de Braga devem contagiar as instituições mais austeras.

O retorno à rua D. Diogo de Sousa pode ser feito por regresso ao ponto do desvio ou pela subida da rua paralela ao mais famoso jardim da cidade de Braga. O colorido Jardim de Santa Bárbara não regateia esforços para intensificar de cheiros e cores o período festivo que se vive em Braga e que impõe que a caminhada prossiga até à Praça da República. 

É aqui que as ornamentações revelam todo o seu esplendor. Uma especial atenção a todos os recantos é mais do que justificada. O olhar de cima para baixo sobre a Avenida da Liberdade demonstra a diferença abismal da visão permitida pelo percurso da subida. 

Imperdível é contemplar demoradamente o enquadramento da ornamentação com o Posto de Turismo e com a Basílica dos Congregados. As opções revelam a essência mais profunda das festas do São de Braga: uma conciliação pacífica e intensa entre o sagrado e profano, que caracteriza as festividades em honra de São João Baptista, que continuam a ser apontadas, com toda a legitimidade, como sendo as mais populares e as mais portuguesas do país. Obviamente, sem desprimor para todas as outras.

Os mais curiosos podem ainda descobrir outras singularidades: naquela que é uma das cidades mais cosmopolitas do país, há recantos que sugerem tropicalidade. Mas garantido é que estamos no São João de Braga. O mais português de Portugal.