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Arcebispo de Braga considera que as Misericórdias continuam a ser um pilar fundamental do setor social em Portugal

Arcebispo de Braga considera que as Misericórdias continuam a ser um pilar fundamental do setor social em Portugal
Fotografia Francisco de Assis

Francisco de Assis

Jornalista

Publicado em 05 de junho de 2026, às 21:22

Na Eucaristia do Congresso Nacional das Misericórdias, D. José Cordeiro frisa que se não fossem as instituições

O Arcebispo Metropolita de Braga celebrou ao fim da tarde de hoje, na Sé Primaz, a eucaristia do 15.º Congresso Nacional das Misericórdias portuguesas. Na homilia, D. José Cordeiro agradeceu «o serviço dedicado das Misericórdias», que continuam a ser um pilar fundamental do setor social em Portugal», acrescentando que a missão das Santas Casas da Misericórdia neste século XXI «é humanizar e misericordiar», para contrariar a «lógica da eficiência e utilidade».

Com a Sé Primacial quase cheia com representantes de irmandades de todo o País, a eucaristia foi também um momento festivo, dando cumprimento também às obras de Misericórdia espirituais. Pegando no Evangelho de ontem, dia litúrgico de S. Bonifácio, o Arcebispo Primaz frisou que Jesus Cristo foi um «Mestre que ensinava com palavras e por gestos. Os seus discursos e ensinamentos orais eram escutados pelas pessoas do seu tempo quer com espanto, dada a autoridade que transparecia na sua voz».

D. José Cordeiro recordou que há dez anos, em 2016, o mundo Católico viveu o Ano Santo extraordinário, convocado pelo Papa Francisco, dedicado ao tema da misericórdia. Na Bula, o Papa dizia: «Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o acto último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado».

Para o Arcebispo de Braga, «ser misericordioso é sentir as dores do outro como se fossem as nossas próprias dores; é pôr o nosso coração sobre a miséria do outro. As Santas Casas da Misericórdia foram uma resposta assistencial para problemas concretos de um tempo, mas que no fundo são problemas de todos os tempos. Tal como no século XV, no século XXI continuam a existir pobres, marginalizados e abandonados que necessitam das nossas obras de misericórdia, quer espirituais, quer corporais. Por isso, a missão das Santas Casas da Misericórdia continua atual sendo um pilar fundamental do setor social em Portugal. Por isso, agradeço o vosso serviço dedicado àqueles que mais precisam».

 

Lição da encíclica Magnifica Humanitas

Segundo o prelado, este tempo de tremendos avanços tecnológicos, certas correntes agem na sociedade tendo por base o pensamento «que imagina um aperfeiçoamento do ser humano através das tecnologias (biomedicina, engenharia corporal, dispositivos, algoritmos), aspirando a aumentar o seu desempenho e capacidades” (MH, 116), o que comporta sérios riscos, tal como alertou o Papa Leão XIV na sua encíclica Magnifica Humanitas: «Se o ser humano for tratado como matéria a aperfeiçoar ou a ultrapassar, é então mais fácil aceitar que alguns sejam considerados menos úteis, desejáveis e dignos. Em nome do progresso, pode chegar-se a imaginar “sacrifícios necessários” e a fazer com que os mais frágeis paguem o preço de uma suposta otimização da espécie», citou .

Ora, para D. José Cordeiro, «num tempo em que parece que alguns defendem que a inteligência artificial irá resolver todos os problemas; num tempo em que alguns querem fazer crer que a dignidade de uma pessoa depende da sua eficiência ou da sua produtividade, o que pode levar a concluir que aqueles que não produzem ou não são úteis à sociedade são seres humanos de segunda, ouso dizer que a missão das Santas Casas da Misericórdia de Portugal neste séc. XXI é humanizar e misericordiar, para vencermos a lógica da eficiência e utilidade, porque tal como escreve o Papa Leão XIV, a sociedade precisa de “instituições civis capazes de superar a lógica da eficiência, orientando explicitamente recursos, criatividade e normas em favor dos mais vulneráveis».

O Arcebispo apelou a que os utentes das Misericórdias, novos ou velho sejam  olhados como um outro igual em dignidade ao qual, pela graça batismal, sou chamado a tratar como um irmão, colocando-me sempre na disponibilidade de o carregar e de lhe tratar as feridas. D. José concluiu a homilia vincando a importância das instituições ligadas à Igreja Católica. «Sem as Misericórdias, a Cáritas, as Fundações, os Centros Sociais Paroquiais e outros, a sociedade civil ruiria. Honrando o nome que temos, que sejamos rosto de misericórdia, capazes de estar sempre ao lado dos pobres, dos fracos e dos oprimidos».

A missa foi superiormente solenizada pelo Coro da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso.