O antigo vice-primeiro-ministro Paulo Portas afirmou, em Braga, que o distrito minhoto reúne características únicas em Portugal ao nível da demografia, capacidade exportadora e ligação entre universidade e inovação. As declarações foram feitas na conferência “Fórmula Santander Braga – Acelerar o Futuro”, promovida pelo Banco Santander, no Meliá Braga Hotel & Spa.
Durante a sua intervenção, Paulo Portas destacou a realidade demográfica de Braga, considerando-a uma exceção no panorama nacional. «Braga tem um ‘asset’ [ativos] que mais nenhum distrito de Portugal tem. É o único distrito com demografia positiva, onde nascem mais crianças do que morrem os mais velhos, ou aqueles que por algum acidente têm de partir», disse.
O antigo governante classificou o distrito como «um oásis» face à realidade portuguesa, «onde a idade meridiana são 47,3 anos de idade». «É dos assuntos mais sérios que um país pode ter de enfrentar e Braga tem essa enorme luminosidade de ser um distrito jovem», vincou.
Paulo Portas salientou também o peso económico da região, apontando Braga como um dos principais motores exportadores do país. «Braga está no top 3 dos exportadores portugueses e, portanto, tem uma economia altamente internacionalizada», deu nota.
No mesmo contexto, destacou a importância da inovação e do investimento em investigação e desenvolvimento, «critérios decisivos para valor acrescentado no futuro». E reforçou: «A inovação é a chave absoluta e é o valor acrescentado».
Paulo Portas deixou ainda elogios à Universidade do Minho, sublinhando o crescimento e prestígio de algumas das suas escolas, as quais considerou «ascendentes».
A intervenção de Paulo Portas integrou uma reflexão sobre o futuro económico, que contou também com a participação do economista-chefe do Santander, Rui Constantino, e do administrador executivo do Santander Portugal, Amílcar Lourenço. Durante a conferência, o ex-vice-primeiro-ministro traçou um retrato de um mundo marcado pela sucessão acelerada de crises internacionais e pela instabilidade geopolítica. «As crises tornaram-se muito mais rápidas. Ou seja, a sequência das crises, o nosso direito ao sossego cresceu, encurtou, manifestamente», sustentou.
Paulo Portas abordou igualmente os riscos associados à dependência energética europeia, defendendo uma estratégia mais autónoma para o continente. «Insistir em políticas energéticas que nos tornem dependentes, ou dos caprichos do senhor Putin, ou das incursões e conflitos clássicos do Médio Oriente, é fazer mal a nós próprios. Nós temos um problema energético e temos que encontrar uma via», defendeu.
Na análise aos desafios estratégicos da Europa, o antigo governante identificou várias áreas críticas na Europa: produtividade, energia, demografia, inovação e a defesa.
Na parte final da intervenção, Paulo Portas debruçou-se sobre o conflito no Médio Oriente e sobre o impacto da tensão com o Irão nas rotas marítimas internacionais, particularmente no Estreito de Ormuz. «Eu acho que não há solução militar para o Estreito de Ormuz. Nós temos as maiores forças armadas do mundo, as mais bravas, bravos soldados, os maiores porta-aviões do mundo, três na área do Estreito, ameaçados de impasse por uma entidade», disse, acrescentando: «uma coisa que a administração americana não percebeu é que não tinha que convencer governos, tinha que convencer transportadores marítimos e seguradoras».