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Arcebispo de Braga lembra que nas dificuldades da vida há um Deus que não abandona

Fotografia DM

Rita Cunha

Jornalista

Publicado em 04 de abril de 2026, às 16:23

D. José Cordeiro deixou uma mensagem de esperança no Ofício de Laudes do Sábado Santo, na Sé Catedral

A certeza de que Deus nunca abandona, mesmo nas horas mais difíceis da vida, marcou o Ofício de Laudes do Sábado Santo celebrado esta manhã, na Sé Catedral de Braga. Presidida pelo Arcebispo de Braga, D. José Cordeiro, a celebração reuniu muitos fiéis num ambiente de silêncio profundo e oração meditativa, característico deste dia de espera e contemplação no calendário cristão.
A Sé Catedral apresentou-se bem composta, num clima de recolhimento onde o silêncio dominou toda a celebração, traduzindo espiritualmente o tempo entre a morte de Cristo e a esperança da Ressurreição.


Na homilia, intitulada “Imenso Silêncio”, D. José Cordeiro explicou o significado deste dia como um silêncio pleno de sentido espiritual: «Sábado Santo é dia de imenso silêncio, mas um silêncio que não é vazio. É silêncio que dá espaço para Deus falar; silêncio que representa a descida de Cristo à mansão dos mortos, para realizar a etapa final da obra salvífica: na própria casa da morte, Cristo vai vencer a morte e libertar aqueles que eram prisioneiros da morte», referiu.


O Arcebispo destacou que o centro da fé cristã não está no sofrimento em si, mas no amor que lhe dá sentido: «Não é a cruz que nos salva; o que nos salva é o amor com que ela é carregada. A Cruz com Cristo dá vida, liberta».
Ao longo da reflexão, o Prelado convidou os fiéis presentes a viverem o silêncio como exercício espiritual que educa a esperança, evocando os Passos rezados em silêncio e a força espiritual que nasce da contemplação.


Num dos momentos mais marcantes da homilia, D. José Cordeiro afirmou: «A nossa vida tem cruzes que por vezes são árduas de suportar, sobretudo porque nos parece que Deus está ausente, que não se lembra de nós no sofrimento dessas horas difíceis. Mas Ele está lá: guiando os acontecimentos, colocando as pessoas certas no nosso caminho. Essa é a nossa esperança. Ele não nos abandona», vincou.
A reflexão integrou ainda referências culturais, com a citação de José Saramago, segundo o qual «Deus é o grande silêncio do universo e o ser humano o grito que dá sentido a esse silêncio», e da escritora bracarense Maria Ondina Braga, que descreveu aquela Sé Catedral como uma «nave escura e imensa de silêncio».


O Ofício de Laudes terminou mantendo o tom contemplativo que marcou toda a manhã, preparando espiritualmente os fiéis para a Vigília Pascal, quando a Igreja celebra a vitória da vida sobre a morte e o anúncio da Ressurreição.