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Passos de Braga desafiam fiéis a serem «caminhos de esperança»

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Fotografia Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 29 de março de 2026, às 20:51

Multidão concentrou-se no Largo Carlos Amarante para o momento do Encontro

Uma multidão de fiéis participou hoje na secular Procissão de Passos de Braga, uma das mais marcantes da Semana Santa. O cortejo religioso, organizado pela Irmandade de Santa Cruz, foi presidida pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro.

No Sermão do Encontro, um dos momentos mais emocionantes desta grande manifestação pública de fé, no adro da igreja de Santa Cruz, o pregador, o cónego José Paulo Abreu, evocou o caminho de Jesus até ao Calvário, lembrando que Cristo carregou a cruz para redimir a humanidade.

Partindo de várias figuras do Novo Testamento, como Judas, que traiu Jesus, destacou que também hoje há muitas traições e outras atitudes que não dignificam o ser humano como julgamentos fáceis por «críticos de gabinete», indiferença e incapacidade de compreender o outro.

«O género humano é capaz do pior», afirmou.

Num tom crítico, o cónego José Paulo Abreu aludiu ainda para a realidade de um mundo marcado por conflitos e guerras, referindo que a humanidade vive tempos de grande incerteza e sofrimento. 

«Nesta terceira guerra mundial que estamos a viver, andamos todos de coração na mão, à espera que termine», afirmou, criticando os dirigentes que, frutos das suas decisões, provocam a morte de tantas pessoas.

Neste quadro de maldade humana, notou que também há sinais positivos e exortou os presentes a semearem «caminhos de esperança», imitando figuras bíblicas próximas de Jesus, como o Cireneu, as mulheres de Jerusalém e a Verónica.

O pregador lembrou que atualmente também há muita gente a precisar que lhe carregue a “cruz”, a precisar de gesto de carinho e que lhe limpe o rosto «desfigurado».

O cónego José Paulo Abreu apontou Nossa Senhora como «a maior presença, a caridade suprema», e Jesus como o Messias que «não desiste da cruz» para salvar a humanidade.

A procissão, que recriou a Paixão de Cristo, desde o julgamento até à crucificação, percorreu o trajeto habitual, integrando, além de autoridades religiosas, dezenas de figurados, banda de música, a Irmandade de Santa Cruz, com os seus guiões e estandartes, bem como uma réplica do cruzeiro, mandado erigir pelo Arcebispo D. Diogo de Sousa, no local onde hoje está o Adro da Igreja, a figura do Arcebispo que assinou a fundação da Confraria da Vera-Cruz, em 1581, hoje Irmandade de santa Cruz, e o Mestre-Escola Jerónimo Portillo, mais tarde sacerdote jesuíta.