O Papa apelou hoje à paz no Médio Oriente e homenageou o padre maronita Pierre El Raii, morto no Líbano após socorrer vítimas de um bombardeamento israelita.
“O padre Pierre foi um verdadeiro pastor, que permaneceu sempre ao lado do seu povo com o amor e o sacrifício de Jesus, o bom pastor”, afirmou Leão XIV, no final da audiência geral desta manhã, que reuniu milhares de pessoas na Praça de São Pedro.
O funeral do sacerdote decorre hoje em Al-Qlayaa, no sul do território libanês.
“Assim que soube que alguns paroquianos tinham ficado feridos num bombardeamento, correu sem hesitar para os ajudar”, recordou o pontífice, a respeito dos últimos momentos de vida do padre El Raii.
“Roguemos ao Senhor que o seu sangue derramado seja semente de paz para o amado Líbano”, exortou.
A preocupação do Papa estendeu-se aos restantes países da região afetados pela escalada militar, após os ataques israelo-americanos contra o Irão.
“Queridos irmãos e irmãs, continuemos a rezar pela paz no Irão e em todo o Médio Oriente, em particular pelas numerosas vítimas civis, entre as quais muitas crianças inocentes”, pediu aos peregrinos reunidos no Vaticano.
Leão XIV expressou o desejo de a oração “seja um conforto para quem sofre e uma semente de esperança para o futuro”.
Ainda hoje, o Papa vai receber em audiência o cardeal Dominique Mathieu, arcebispo de Teerão-Isfahan, que foi retirado para Roma na sequência da operação militar em curso no Irão.
Esta terça-feira, o Governo do Líbano pediu a intervenção diplomática da Santa Sé para preservar a presença da comunidade cristã nas aldeias do sul do país, afetadas pela guerra.
O pedido surgiu durante uma conversa telefónica entre o ministro dos Negócios Estrangeiros libanês, Youssef Raggi, e o secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, arcebispo Paul Richard Gallagher.
“Solicitei à Santa Sé que interviesse e mediasse para ajudar a preservar a presença cristã nessas aldeias, cujos habitantes sempre apoiaram o Estado libanês e as suas instituições militares oficiais e nunca falharam nesse compromisso”, escreveu Youssef Raggi, numa publicação na rede social X.
Segundo o responsável, D. Paul Richard Gallagher afirmou que “a Santa Sé está a tomar todos os contactos diplomáticos necessários para travar a escalada no Líbano e impedir o deslocamento dos cidadãos das suas terras”.
O teor da conversa foi confirmado pelo diretor da sala de imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni.
No Líbano, o padre Toufic Bou Merhi, franciscano da Custódia da Terra Santa e pároco dos latinos no sul do país, lamenta que um sacerdote tenha morrido ao “tentar socorrer uma pessoa que o chamou”.
Num texto publicado pelo portal ‘Vatican News’, o religioso alerta para a destruição psicológica provocada pelo conflito, para além dos danos materiais visíveis nos edifícios atingidos por mísseis.
“Há uma destruição que nenhuma câmara consegue mostrar: a que ocorre no coração das pessoas”, assinala o franciscano.
“Onde se refugia a dignidade quando se perde a casa? Como se guarda a esperança quando se vive com uma mala sempre pronta?”, questiona o padre Toufic Bou Merhi.
O responsável conclui a reflexão enfatizando o impacto do cenário de guerra nas crianças.
“Só posso testemunhar o que vejo: uma tragédia imensa que muitas vezes permanece escondida dentro de pequenos corações”, adverte.