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Carlos Eduardo Reis vai disputar liderança do PSD/Braga com atual presidente Paulo Cunha

Fotografia DR

Vereador da Câmara de Barcelos defende que a distrital de Braga deve ter “uma voz própria”

O antigo deputado social-democrata e vereador da Câmara de Barcelos Carlos Eduardo Reis vai disputar a liderança da distrital de Braga do PSD contra o atual presidente da estrutura, Paulo Cunha, confirmou o próprio à Agência Lusa.

Na semana passada, o Expresso e o Correio da Manhã noticiaram que Carlos Eduardo Reis deveria avançar contra o eurodeputado Paulo Cunha, que anunciou na semana passada a recandidatura e que foi vice-presidente de Luís Montenegro até ao último congresso.

As eleições internas para núcleos, concelhias e órgãos distritais do PSD realizam-se em simultâneo em todo o país a 28 de fevereiro, e Braga deverá será uma exceção, com dois candidatos à liderança da distrital.

Em declarações à Lusa, Carlos Eduardo Reis recusou, contudo, nacionalizar esta disputa e negou que se trate de uma candidatura “contra o Governo”, que até elogia, salientando que já foi desafiado e ponderou uma candidatura ao PSD/Braga nas últimas eleições, e só não avançou então devido à proximidade das autárquicas do ano passado.

O antigo deputado do PSD – que entrou no parlamento durante a liderança de Rui Rio e suspendeu o mandato no ano passado no âmbito da operação judicial Tutti frutti - defendeu que a distrital de Braga deve ter “uma voz própria” e um perfil “menos notarial, menos administrativo e muito mais de intervenção”.

“O meu entendimento das estruturas regionais e distritais é que têm que ter uma intervenção no plano político, porque se não servem para pouco. Tem que ser uma estrutura pensante, que promove o debate, que tenha uma opinião que reflita aquilo que a grande parte dos nossos militantes pensa, mas que influencie positivamente as políticas do Governo”, disse.

Por outro lado, defendeu ser também tempo de “renovar os quadros do distrito”, recordando que Paulo Cunha “já cumpriu praticamente o tempo dos três mandatos” e exerce atualmente funções de eurodeputado em Bruxelas.

“Já não é a primeira vez que acontece termos um eurodeputado na presidência da distrital, mas havia um contexto de consensualidade no distrito que hoje não existe”, disse, referindo-se ao agora ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes.

Questionado se poderá contar com o voto deste governante, como tem sido noticiado, Carlos Eduardo Reis remeteu a pergunta para o próprio, mas confirmou que a secção de Vila Verde (onde José Manuel Fernandes foi autarca) o apoiará e “terá espaço” na sua candidatura.

“Não quero que saia daqui nenhuma leitura de que há uma candidatura que tem mais simpatia pelo Governo do que outra. Isto não é um concurso de simpatia em relação ao Governo. Eu apoio o Governo, sei aquilo que tem feito, sei os projetos que tem para a Região Norte e para o nosso distrito”, elogiou, referindo, por exemplo, o compromisso com o hospital de Barcelos.

O antigo deputado disse que, além de o Governo ser liderado pelo seu partido, não poderia discordar de um executivo que “já subiu salários em várias carreiras da função pública, que tem a intenção de continuar a reformar a administração pública e de mexer também na lei laboral com o objetivo de melhorar a atratividade económica”.

“Não quero fazer desta candidatura mais do que aquilo que ela é: é só mesmo uma candidatura à Comissão Política Distrital de Braga do PSD”, afirmou, considerando que só uma “conceção tosca” da democracia pode entender como um desafio uma candidatura de “alguém tem uma opinião diferente” numa eleição “estatutária e no tempo certo”.

Carlos Eduardo Reis elogiou também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, dizendo que conseguiu “unir várias sensibilidades”no Governo

“É aquilo que eu quero aqui também. Vamos disputar eleições, vamos renovar os quadros e depois vamos tentar unir o distrito”, afirmou.

Carlos Eduardo Reis suspendeu o mandato de deputado em fevereiro do ano passado por ter perdido a confiança política da direção da bancada, depois de ter sido acusado pelo Ministério Público na operação judicial Tutti Frutti, que investiga desde 2018 alegados favorecimentos a militantes do PS e do PSD, através de avenças e contratos públicos.

Nessa ocasião, em entrevista à SIC Notícias, Carlos Eduardo Reis afirmou que, por sua vontade, cumpriria o estatuto de deputado e aguardaria pela acusação definitiva do processo e só suspenderia o mandato se fosse pronunciado, ou seja, após a fase de instrução, dizendo não trocar “a presunção da inocência pela presunção da culpa”.

No entanto, dias antes, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, tinha anunciado publicamente que iria pedir a Carlos Eduardo Reis que suspendesse o mandato de imediato.