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Testemunha assume ser sua a faca que matou amigo junto ao Bar Académico de Braga

Testemunha assume ser sua a faca que matou amigo junto ao Bar Académico de Braga
Fotografia DR

Redação/Lusa

Publicado em 04 de fevereiro de 2026, às 15:27

Segunda sessão do julgamento decorreu hoje

O amigo que acompanhava o jovem morto junto ao Bar Académico da Universidade do Minho, em Braga, assumiu hoje ser sua a faca do crime, mas que a entregou à vítima antes de se deslocarem para o local.

Na segunda sessão do julgamento do homicídio cometido na madrugada de 12 de abril de 2025, que decorre no Tribunal de Braga, a testemunha contou que levou de sua casa uma faca a pedido do amigo, por este ter “receio” de que algo de mal lhe acontecesse, uma vez que estaria a receber ameaças de alguém que também iria marcar presença na mesma festa no estabelecimento de diversão noturna.

Na versão hoje apresentada, que difere de testemunhos já anteriormente prestados, ainda na fase de inquérito, o jovem, de 19 anos, disse que antes de rumarem ao bar, ele, a vítima e mais amigos encontraram-se num centro comercial da cidade e que aí entregou ao amigo a faca de cozinha, com cerca de 10 centímetros e com um cabo branco de plástico.

Já no interior do Bar Académico, onde chegaram pelas 00:00, a testemunha contou ter visto a vítima a confrontar um grupo que estaria a “minar (drogar)” o copo da bebida de uma amiga, acrescentando que, nessa sequência, interveio um segurança, o qual decidiu expulsar o amigo, após terem também discutido.

O jovem, que seguiu o amigo para o exterior do espaço de diversão noturna, cerca das 03:30, explicou que ambos ficaram à espera da boleia de um outro colega, mas que como este nunca mais chegava, a vítima decidiu chamar a PSP por se sentir injustiçado por ter sido expulso do bar, quando alertava para o facto de estarem a tentar colocar droga na bebida de uma amiga.

A polícia dirigiu-se ao local e abandonou o espaço pouco tempo depois, permanecendo ambos no exterior do bar, “à conversa”.

A testemunha relatou ao tribunal que, cerca das 05:30, viu o arguido e outros cinco amigos deste a saírem do bar e, nesse momento, o amigo “confrontou-os e abordou o grupo por terem feito aquilo”, em alusão ao facto de, alegadamente, colocarem droga na bebida da amiga.

Ato contínuo, contou, “começaram a atirar pedras e garrafas” contra ele e o amigo, acrescentando que o arguido, que se encontrava uns metros à frente do restante grupo que o acompanhava, “tinha na mão uma garrafa partida”.

O jovem referiu que, de um momento para o outro, no meio daquela “confusão e pânico”, quando se tentava defender, o amigo “desapareceu”, deixando-o de o ver.

Pouco depois, disse, ele voltou e vinha “com a faca na mão”, acreditando que a vítima tenha ido “buscar a faca onde a havia escondido”, antes de entrar no bar.

“Está de novo ao meu lado com a faca. Tentei tirar-lhe a faca. Nesse momento sou atingido por alguma coisa, não sei se por uma pedra ou por uma garrafa, desmaio e perco os sentidos”, detalhou a testemunha.

O jovem assumiu ao coletivo de juízes não se lembrar de mais nada e que “acordou”, recuperou os sentidos, na casa do amigo e um outro amigo, a cerca de um quilómetro do bar.

Afirmou que ainda regressou ao local, onde já não estava o amigo, referindo que só soube da sua morte quando já estava no hospital a receber tratamento aos ferimentos na cabeça.

O julgamento prossegue pelas 09:30 de 18 de fevereiro com a continuação do depoimento desta testemunha.

Segundo a acusação do MP, os factos começaram às 01:18, num dos espaços interiores do Bar Académico da Universidade do Minho, quando a vítima confrontou um dos elementos que integravam o grupo do arguido, por ter tido a perceção de que um deles teria adulterado a bebida de uma jovem cliente do estabelecimento.

Posteriormente, já na via pública, em frente ao bar, “iniciou-se uma contenda, com confrontos físicos”.

“Nesse contexto, o arguido, na posse de uma faca e empunhando e brandindo a mesma, avançou de encontro ao ofendido, que estava desarmado e, uma vez junto deste, desferiu-lhe três golpes, atingindo-o mortalmente”, acrescenta a acusação.

O MP requereu a aplicação ao arguido, de nacionalidade brasileira, da pena acessória de expulsão de Portugal.