A coordenadora do projeto “No Stress Braga” fez hoje um balanço «muito positivo» das primeiras rondas deste programa de promoção da saúde mental que está a ser desenvolvida em escolas do concelho de Braga, junto de alunos, encarregados de educação e professores.
Dinamizado pelas Irmãs Hospitaleiras, com o apoio do Portugal Inovação Social, o projeto já contribuiu para a melhoria da autoestima de mais de 90 por cento das crianças que nele participam.
O balanço foi apresentado por Sara Barbosa durante a tertúlia “Ser Família No Stress”, que decorreu no Auditório do Centro de Juventude de Braga.
Em funcionamento desde 2025, este projeto abrange, neste ano letivo, 30 turmas, num total estimado entre 600 e 650 crianças. Até ao momento, foram completadas as primeiras 15 turmas, divididas em duas rondas, envolvendo 333 alunos.
«Vamos avançar agora para mais 15 turmas», explicou a coordenadora, sublinhando que os primeiros resultados são «muito positivos».
Segundo Sara Barbosa, mais de 90 por cento das crianças participantes referem melhorias significativas na autoestima, maior capacidade para lidar com dificuldades emocionais e maior disponibilidade para procurar ajuda quando enfrentam problemas de saúde mental.
«Uma das grandes dificuldades que encontramos é o facto de muitas crianças não pedirem ajuda. Dizem-nos que não o fazem porque os pais não têm tempo, porque têm vergonha ou porque acham que não vão ser compreendidas», afirmou.
O projeto aposta, por isso, numa intervenção precoce, que começa na escola, envolve as famílias e, quando necessário, encaminha para profissionais de saúde, prevenindo o desenvolvimento de situações mais graves. Estes ganhos, acrescentou a coordenadora, são reconhecidos não só pelas crianças, mas também pelas famílias e pelos professores envolvidos.
«O grande objetivo do projeto “No Stress” é trabalhar em simultâneo as crianças, a escola e os pais, para que todos estejam capacitados da mesma forma e utilizem, no dia a dia, as ferramentas e estratégias que trabalhamos em sala de aula, ao longo da vida», destacou.
Desde o ano passado, o projeto criou também uma bolsa gratuita de consultas de psicologia para as crianças que frequentam o “No Stress Braga”. Sempre que é identificada essa necessidade, quer pela equipa técnica, quer pelas famílias, a criança tem acesso imediato a uma consulta de psicologia.
«Sabemos que quanto mais precoce for a intervenção, melhor será o prognóstico», salientou Sara Barbosa.
Na parte final da tertúlia, algumas mães defenderam que é necessário reforçar o apoio psicológico nas escolas públicas. Algumas consideraram insuficientes a existência de apenas um psicólogo por escola, defendendo que todas as crianças deveriam ser ouvidas, pelo menos, uma vez por ano, e sublinharam a importância de investir mais na literacia em saúde mental.
A vereadora da Educação da Câmara de Braga, Hortense Santos, que assistiu à tertúlia, procurou responder às preocupações, referindo que o Ministério da Educação tem vindo a reforçar a contratação de psicólogos para as escolas. Lembrou que no segundo e terceiro ciclos do Ensino Básico e no Ensino Secundário já existe um psicólogo por ciclo e que a maioria dos agrupamentos escolares dispõe de um profissional afeto ao primeiro ciclo.
O projeto No Stress Braga, financiado pelo Portugal Inovação Social até ao ano letivo de 2027/2028, tem a duração de três anos e pretende, no final, abranger entre 1200 e 1400 crianças, envolvendo igualmente cerca de 1200 famílias, 2400 pais e mais de 70 professores.
«São sementes que vão ficando», referiu a coordenadora.
Indivíduo precisa de cultivar a espiritualidade
A tertúlia “Ser Família No Stress”, subordinada ao lema “A saúde mental começa em casa”, juntou especialistas e famílias para um espaço de partilha, reflexão e esclarecimento sobre o desenvolvimento emocional infantil, a promoção da saúde mental, os sinais de alerta e o papel dos pais no reforço das competências socioemocionais das crianças, bem como sobre o bem-estar emocional dos adultos cuidadores.
Entre outras vertentes, a iniciativa incluiu uma reflexão sobre a dimensão espiritual da saúde mental, por Luís Miguel Rodrigues, professor universitário e capelão da Casa de Saúde do Bom Jesus. O sacerdote destacou a espiritualidade como uma «ferramenta que o indivíduo precisa de cultivar», sublinhando que promove o sentido de pertença, o propósito e a partilha, e salientou a importância de certos ritos no quotidiano e na vida familiar, como cumprimentar, conversar, partilhar, desabafar.