Investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM), a par da Universidade de São Paulo, Brasil, desenvolveram uma língua eletrónica, ecológica e de baixo custo, que usa a inteligência artificial para identificar rapidamente diferentes bebidas, como água, leite, café e vinhos. A inovação pode vir a ser decisiva em áreas como qualidade alimentar, inspeção aduaneira, enologia, biotecnologia e saúde.
Chamado HITS (Hydrogel In-Tape Electronic Tongue), o dispositivo imita o funcionamento do paladar humano, ao analisar a assinatura elétrica de cada amostra em poucos minutos. «Este sensor funciona com a assinatura elétrica das bebidas, cada líquido gera um sinal diferente», explica Ricardo Brito-Pereira, investigador do Centro de Física e do Instituto para a Bio-sustentabilidade, na ECUM.
Os sensores tradicionais detetam apenas uma substância, mas esta nova tecnologia analisa vários tipos de amostras e interpreta os sinais elétricos com algoritmos de IA, distinguindo variações na composição dos líquidos. «É possível identificar se um vinho foi adulterado ou se um azeite é realmente virgem extra, de forma rápida e no local, o que permite agir de imediato e garantir a qualidade do produto para os cidadãos»,acrescenta o cientista.
O HITS custa menos de um euro por unidade e pode ser operado facilmente por qualquer pessoa. É fabricado com materiais biodegradáveis ou recicláveis, como plástico PET, tintas de carbono e um hidrogel de iota-carragenina, extraído de algas vermelhas. «É crucial que dispositivos de monitorização que podem ser usados várias vezes em muitos locais tenham estas caraterísticas ecológicas», sublinha o coordenador do projeto, Senentxu Lanceros-Mendez, que é professor da ECUM.