«A XIX edição do Presépio ao Vivo de Priscos, realizada na freguesia de Priscos, no concelho de Braga, afirmou-se, mais uma vez, como um dos mais relevantes acontecimentos natalícios em Portugal, destacando-se este ano por uma mensagem clara, atual e profundamente humana». O balanço da edição 2026 é efetuado pelo padre João Torres, pároco da Paróquia de São Tiago de Priscos, e grande mentor do maior presépio ao vivo da Europa, argumentando que «mais do que uma simples representação do Natal, o Presépio ao Vivo de Priscos afirma-se como um presépio que fala — não apenas aos olhos, mas sobretudo ao coração e à consciência».
Em jeito de análise final desta edição, o padre João Torres realça a profundidade da temática “Deficiência e Superação”, e defende que o Presépio de Priscos, se assumiu «como um espaço de consciencialização social, inclusão e esperança, ligando a mensagem do Natal aos desafios concretos da vida de muitas pessoas e famílias».

«Esta edição procurou dar visibilidade às dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência, alertando para a escassez de recursos, a falta de lares, de apoios terapêuticos adequados e de verdadeiras oportunidades de inclusão social e profissional. Mais do que uma denúncia, o Presépio de Priscos foi um apelo à consciência coletiva, mostrando caminhos possíveis de integração, dignidade e superação», sustenta o padre João Torres em comunicado.
Recordou também que, neste contexto, o Centro de Paralisia Cerebral de Beja marcou presença com a exposição “Do Silêncio à Visibilidade”, um projeto desenvolvido no âmbito da Formação Profissional em 2024. A mostra apresentou histórias reais de integração profissional de pessoas com deficiência. Um testemunho concreto de que a inclusão é possível quando existem oportunidades e compromisso.

Não deixou ainda de destacar os rostos e histórias que deram vida a esta edição, nomeadamente a presença da família de Diogo Faria, jovem de 20 anos, portador de Ataxia Congénita, que inaugurou a edição deste ano.
A dimensão solidária do Presépio de Priscos é reforçada, há cerca de uma década, pela colaboração, de reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga na construção e manutenção do Presépio. Assim, os donativos recolhidos reverteram, como habitualmente, para apoiar os reclusos na reconstrução das suas vidas, promovendo a reintegração social e prevenindo novas situações de exclusão.

O sacerdote concluiu, sustentando que se trata de «m projeto que ultrapassa fronteiras, com alcance regional, nacional e internacional, e que continua a afirmar-se como um espaço onde o Natal acontece de forma viva, comprometida e transformadora».