O Centro Interpretativo das Memórias da Misericórdia de Braga (CIMMB) celebrou ontem 10 anos de cultura, de património e de memórias, mas também de convívio intergeracional. Assim, em conjunto com a Escola Profissional Profitecla, foi proporcionada uma tarde cheia de atividades e de convívio entre gerações, juntando alunos e professores da Profitecla, utentes de lares da Santa Casa da Misericórdia de Braga, bem como da Associação Portuguesa de Deficientes de Braga.
A tarde ficou marcada, igualmente, pela inauguração da Árvore de Natal e do Presépio do Palácio do Raio, uma vez mais da autoria da artista galega Carmen Touza, natural de Pontevedra.
Logo à chegada, os convidados e visitantes eram recebidos pelos alunos da Profitecla, devidamente trajados como figuras de convite ao estilo barroco, precisamente para vincar o estilo barroco, em que o Palácio do Raio é um dos expoentes em toda a região.
Para além das intervenções dos responsáveis da Santa Casa da Misericórdia de Braga, da Profitecla e da artista Carmen Touza, houve inauguração da árvore de Natal e do presépio, momentos musicais, proporcionados por alunos da Profitecla, vencedores do “Profitalent”, troca de presentes e um lanche, preparado pelos anos daquela escola.
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Bernardo Reis, deu as boas-vindas a todos, dos mais novos aos mais velhos, sublinhando, por um lado, a importância da parceria com a Profitecla, que é anterior à inauguração do Centro Interpretativo; e por outro, o importante papel daquele espaço na preservação e divulgação da cultura, da memória e do património de Braga e não só, atraindo turistas de todos os cantos do mundo.
«Esta atividade é fundamental para haver uma interligação entre os jovens e aqueles são os mais idosos. E porquê? Porque não só os jovens podem ter um maior sentido de aproximação em relação aos mais idosos, dando-lhes realmente características especiais que lhes podem permitir ter uma forma de vida diferente; e por outro lado, passarem a viver a vida de uma maneira mais interligada; além de fugirem das redes sociais e outras situações que podem não ser o melhor contributo para a vida deles».
Bernardo Reis classificou a atividade como «muito agradável» porque contribui para esta interligação e, ao mesmo tempo, que se valoriza o humanismo e atenção com que os idosos da Santa Casa da Misericórdia de Braga são tratados com carinho, como família. Ou seja, uma aprendizagem também para os alunos.
Uma mais-valia
para a Profitecla
Quanto aos responsáveis da Profitecla, também agradeceram estes dez anos de colaboração, uma vez que esta cooperação têm permitido uma aproximação à cidade de Braga e vida real, pondo em prática muitos dos ensinamentos de sala de aula.
«Para nós, tudo o que é encontro e atividades intergeracionais são sempre ganhos e aprendizagens».
Em declarações ao Diário do Minho, Susana Ferreira, coordenadora do curso de Turismo da Profitecla de Braga, explicou que foi elaborado um projeto inter-cursos, em que todos os cursos da Profitecla participaram: desde o curso de Cozinha e Pastelaria, que preparou o lanche que foi servido; com iguarias do contexto de Natal, como aletria e fidalguinhos, aqui no contexto do Natal; os alunos de Restauração que serviram lanche; os alunos de Turismo que se vestiram a rigor para fazer aqui a receção e o acolhimento dos participantes; os alunos que prepararam umas lembranças que foram entregues aos idosos das residências e lares da Misericórdia de Braga. Foram distribuídos 150 presépios; outros alunos fizeram postais de Natal, precisamente para ajudar a fortalecer a ligação com os idosos. «Uma forma de a escola interagir com a comunidade onde ela está inserida».
O curso de Comunicação fez fotografias e criou interações. «Tudo para criar esta ligação dos jovens com as comunidades mais idosas, mais velhas, para que não haja tanto este isolamento social que infelizmente temos vindo a sentir cada vez mais. Porque há muita tecnologia, há muita ligação à distância, mas na realidade, o convívio é muito pouco e as relações praticamente não existem. Assim, até estes momentos de tirar uma fotografia em conjunto acabam por ser positivos para termos mais ligação, criar afetos, combater um bocadinho a solidão e o isolamento. É um bocadinho isso que nós pretendemos», enfatizou Susana Ferreira.
Ontem, os visitantes do Palácio do Raio tiraram partido as atividades, tanto lanche como das visitas guiadas pelos alunos.
Palácio do Raio celebrou 10 anos de cultura, património e de convívio intergeracional
Fotografia
Francisco de Assis
Jornalista
Publicado em 12 de dezembro de 2025, às 14:42