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Câmara de Braga adia votação sobre concessão de área de restauração do Mercado Municipal

Câmara de Braga adia votação sobre concessão de área de restauração do Mercado Municipal
Fotografia Avelino Lima

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 09 de setembro de 2025, às 17:54

Proposta retirada por sugestão do PS, que considera modelo de negócio esgotado

O executivo municipal de Braga decidiu adiar a votação da proposta de cessão da posição contratual no contrato de concessão da ala de restauração do Mercado Municipal.

A proposta, que previa o trespasse da exploração do espaço para uma nova empresa mediante o pagamento de uma renda mensal na ordem dos 4 mil euros, foi retirada da última reunião de Câmara, ontem, a pedido dos vereadores do Partido Socialista (PS).

Os socialistas argumentam que o modelo de exploração da área alimentar do mercado nunca se revelou eficaz.

«Este modelo de negócio está esgotado, não funciona, e não vale a pena insistir nele», afirmou o vereador Artur Feio.

Para o PS, o insucesso do modelo é evidente, a ponto de nem empresas como a Sonae conseguirem dinamizar o espaço.

«Não nos façam acreditar que uma empresa criada há menos de um ano terá mais capacidade para o fazer», disse.

Artur Feio defendeu ainda que deve ser repensada uma nova abordagem para o espaço, sugerindo o envolvimento de entidades como a Associação Empresarial de Braga no processo.

 «Há disponibilidade para repensar todo aquele espaço e encontrar uma solução diferenciada que crie a centralidade que nunca existiu, promovendo uma simbiose entre o mercado de frescos e a área de restauração, que beneficie os bracarenses», assegurou.

O vereador da CDU, Vítor Rodrigues, também de manifestou favorável à retirada da proposta, partilhando da ideia de que o modelo não é atrativo para os bracarenses.

«Não nos surpreende que aquele modelo não tenha funcionado. O Mercado de Braga continua a ser um espaço onde os bracarenses se abastecem, sobretudo ao fim de semana. A restauração, tal como está, não resulta: não tem estacionamento, está longe das centralidades e nunca gerou verdadeira atratividade», sustentou.

O presidente da câmara, Ricardo Rio, reconheceu as limitações do modelo atual e a falta de resultados. «Tanto eu como a vereadora Olga Pereira, que acompanhámos mais de perto este processo, ficámos um pouco desencantados com o desfecho. Gostaríamos que o mercado, na sua componente alimentar, tivesse ganho outra dinâmica, o que infelizmente não aconteceu», declarou.

Sobre o futuro da concessão, Ricardo Rio disse que caberá ao próximo executivo tomar uma decisão. “Não temos neste momento nenhuma posição fechada. O futuro executivo terá que decidir se mantém o atual concessionário ou se opta pela extinção do contrato», acrescentou. 

A reunião de Câmara teve lugar na sede da Junta de Freguesia de Espinho, onde na ocasião foi apresentado o projeto do novo Centro Cívico da Freguesia, um investimento superior a 1 milhão e 500 mil euros.