A cidade de Braga continua a consolidar-se como um destino turístico de referência no norte do país, com um crescimento notório quer ao nível da procura quer ao nível da oferta.
No início de agosto, a taxa de ocupação hoteleira ronda os 75 por cento, um valor acima da média anual da cidade, que se situa entre os 50 e os 55 por cento.
A informação é avançada pelo diretor-geral da Associação Empresarial de Braga (AEB), Rui Marques, que destaca a robustez do setor na região.
«As taxas de ocupação estão dentro do esperado e refletem uma tendência positiva. A procura turística está a crescer e a oferta também tem vindo a aumentar. Conseguir manter e até subir ligeiramente as taxas de ocupação neste contexto é, de facto, uma boa notícia», afirmou Rui Marques.
Braga, que não é um destino de sol e mar, tem vindo a afirmar-se como cidade de touring cultural e espiritual. Essa aposta está, segundo o responsável, a permitir não só o aumento da ocupação, mas também a valorização da receita.
«Temos conseguido conciliar o aumento da taxa de ocupação com uma estratégia de valorização de preço, o que nos permite transformar estas visitas em oportunidades de negócio para a cidade», sublinhou.
Porto e Norte com perspetivas de recorde em 2025
O presidente da Entidade Regional de Turismo Porto e Norte, Luís Pedro Martins, confirma «boas perspetivas» para o verão, no destino Minho e, em particular em Braga.
«Neste momento estamos com taxas de ocupação entre os 80% e os 85%, com forte presença de mercados como o espanhol, o americano, o francês e, obviamente, o mercado português. Já em julho tivemos entre 70% e 75%, e agora em agosto antevemos ultrapassar os valores de 2024», disse ao Diário do Minho.
Este desempenho positivo, segundo o presidente da Porto e Norte, está a ser acompanhado também em termos de receitas.
«Estamos a crescer sempre acima da média nacional. Em 2024 ultrapassamos pela primeira vez a fasquia dos mil milhões de euros de proveitos só em alojamentos na região Porto e Norte, e Braga tem uma responsabilidade significativa nesse desempenho, e acreditamos que vai acontecer a mesmo este ano», disse.
Para Luís Pedro Martins, a chave para o crescimento sustentado do setor tem sido a promoção externa.
«Temos de continuar a atrair mercados estratégicos como os EUA, Canadá, Brasil, Japão, China, Coreia do Sul ou Singapura. Setembro será um mês especialmente dedicado quase exclusivamente aos mercados asiáticos, e em outubro vamos estar também na América Latina, nomeadamente no Brasil e, pela primeira vez, no mercado mexicano e na Argentina», revelou
De acordo com o Conselho Consultivo de Desenvolvimento Turístico de Braga, no primeiro trimestre deste ano, o concelho acolheu 73.456 hóspedes (mais 9% face ao período homólogo de 2024) e registou 126.388 dormidas nas suas unidades de alojamento (mais 5,5%). E no final de maio, já totalizava 251.689 dormidas.
A estada média é de 1,8 noites, semelhante à taxa da região Norte e inferior à média nacional (2,5 noites). Já o consumo médio por turista tem vindo a crescer.
«Temos verificado um aumento dos preços por dormida e também da receita indireta gerada na cidade, nomeadamente na restauração, comércio e serviços. Isso é essencial para que Braga se afirme como destino turístico sustentável e competitivo», referiu o diretor-geral da AEB.