O Arcebispo de Braga presidiu, na manhã deste domingo, à eucaristia integrada das festas em honra de Nossa Senhora da Consolação, em Nogueiró, tendo convidado os presentes a dar especial atenção à interioridade, bem como a não serem apenas ouvintes da palavra de Deus, mas praticantes da mesma.
No alto do monte da Consolação, de onde se pode contemplar a cidade de Braga, D. José Cordeiro congratulou-se pela oportunidade de, pela primeira vez, poder celebrar neste espaço de fé e devoção. «Ao estarmos aqui somos convidados a louvar Deus pela beleza da casa comum, da criação», vincou.
D. José Cordeiro remeteu para a palavra de Deus, a qual convida cada um a olhar para o seu interior «e para o que Deus quer e espera de nós porque somos feitos à sua imagem e semelhança». Contudo, alertou: «não queiramos nós, humanos, ser mais do que Deus ou ocupar o seu lugar», caso contrário «somos vítimas de nós próprios», disse, lembrando que isso já acontecia no tempo de Deus. «Devemos ter em atenção a interioridade. Muitas vezes cuidamos muito da nossa exterioridade, da imagem, mas não temos a mesma preocupação com a interioridade, o lugar onde Deus habita, a nossa consciência, o lugar onde tomamos decisões para o bem e para o mal», vincou.
O Prelado abordou ainda o apego às tradições e, aqui, apelou a que não se confunda tradição com tradições. A primeira é «um grande depósito de fé que passa de geração em geração». Outra coisa são as tradições, das quais «algumas pessoas não se conseguem desapegar porque dizem que “foi sempre assim”, mas só aplicam isso para a religião e não, por exemplo, nos trabalhos domésticos ou na mobilidade», lamentou.
«Somos muito fixistas, às vezes quase que fundamentalistas. Queremos acompanhar os tempos, mas quando se toca à religião e à fé parece que não nos abrimos à novidade, não queremos a surpresa de Deus. Às vezes parece que não queremos futuro porque tem de ser sempre assim», referiu, salientando que «este justo esforço de harmonização entre passado e futuro, a palavra de Deus e as tradições e a nossa vida não é fácil de se fazer, mas é possível» e acontece «no diálogo, no respeito, na compreensão, na inteligência da fé, acontece com a oração pessoal, familiar e comunitária, termos a ousadia de não mudar por mudar mas para sermos fiéis à missão que Deus nos confia para cuidarmos bem uns dos outros».
Apelou ainda a que não sejamos «apenas ouvintes da palavra de Deus mas praticantes». «Ou se é católico e se é praticante ou não se é e não se pratica», sustentou.
População mantém viva a festa
As Festas em Honra da Senhora da Consolação têm 500 anos de existência e, em tempos, eram as festas da cidade. Depois de altos e baixos e de, em alguns anos, não se terem sequer realizado, vão-se mantendo graças ao empenho e devoção da comunidade.
«Há os que fazem a festa e há os que vêm para gozar dela e da sua envolvência», explicou o presidente da UF de Nogueiró e Tenões. Segundo João Tinoco, é a população que habita na zona rural da freguesia que se dedica à festa, existindo uma ligação natural ao local. Em contrapartida, na área mais urbana a maioria dos habitantes desconhece a efeméride.
Ainda assim, o responsável acredita que as festas se irão manter. «Enquanto houver quem pegue nisto... mas eu acho que sim, isto já teve altos e baixos e cá estamos», disse.
Para além do habitual piquenique, de tarde houve a procissão e música.