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“Trilhos Bragueses” de Rui Ferreira revela histórias e curiosidades das ruas de Braga

“Trilhos Bragueses” de Rui Ferreira revela histórias e curiosidades das ruas de Braga
Fotografia DM

Francisco de Assis

Jornalista

Publicado em 14 de julho de 2024, às 09:46

Livro apresentado ontem reúne um conjunto de crónicas publicadas quinzenalmente no jornal Diário do Minho

Foi ao som da água da Fonte dos Granjinhos, recentemente regressada ao seu local, que o conhecido bracarólogo Rui Ferreira apresentou ontem, publicamente o livro “Braga - Ruas – Praças e Avenidas”, que reúne um conjunto de crónicas publicadas quinzenalmente, às segundas-feiras, no jornal no Diário do Minho. Na sessão, que decorreu na Rua dos Granjinhos, foi vincada a «mais-valia» desta publicação, que revela histórias e curiosidades de personalidades que deram nome a ruas na cidade de Braga. A apresentação esteve a cargo do historiador e arqueólogo Ricardo Silva, presidente da Junta de Freguesia de São Victor. Na mesa, para além do autor, Rui Ferreira, esteve, igualmente, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Braga, Bernardo Reis, que fez o prefácio do livro. Na plateia, estiveram, entre outros, uma representante da União das Freguesias de S. Lázaro e São João do Souto, o padre Paulo Terroso, administrador do Diário do Minho; vários amigos e familiares, amantes da cultura de Braga. 

É certo que há ruas e personalidades mais relevantes, que sobressaem na publicação, destacando, por exemplo, o Arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa, que, no início do século XVI, promoveu uma autêntica «revolução urbanística» em Braga. Aliás, D. Diogo de Sousa mereceu um capítulo inteiro do livro, precisamente por ter dado asas à cidade. No entanto, uma das caraterísticas desta publicação é a sua abrangência. Ou seja, desde as estreitas e sombrias ruas medievais, passando pelas largas, abertas pelo Arcebispo D. Diogo de Sousa, continuando pela cidade projetada no período áureo do Barroco, «dominada pelo projeto exemplar do Campo Novo». Na sua intervenção, Rui Ferreira admitiu que este livro, ou a sua inspiração, resultou, por um lado, do facto de ter trabalhado na Câmara de Braga, mais concretamente no Arquivo Municipal; e por outro, a outras obras já publicadas por outros autores. A partir daí foi lendo e investigando para ir alimentando a rubrica Trilhos Bragueseses que sai quinzenalmente no Diário do Minho. 

Ainda sobre o conteúdo salientou que algumas das personalidades do livro foram beneméritos do concelho que, precisamente pelos feitos realizados, merecem os nomes na toponímia de Braga. São as chamadas «ruas beneméritas». Ainda assim, Rui Ferreira desafiou as autoridades autárquicas a fazerem uma revisão geral da toponímia, permitindo que algumas ruas voltem a ter os seus nomes originais, sobretudo porque é assim que o povo as conhece. A propósito de homenagens, o bracarólogo considerou ser «uma vergonha», o facto de Braga ainda não ter uma rua com o nome de Nogueira da Silva, grande benemérito de várias instituições bracarenses. «Pretendo que o livro seja mais um contributo para o conhecimento da história e da vida da cidade e do concelho de Braga», assinalou o bracarólogo. Rui Ferreira admite que no próximo ano possa sair um novo livro, com «novos “Trilhos Bragueses”. Afinal, por um lado, há ainda muito por explorar em Braga; e por outro, há nomes e espaços que correm o risco de desaparecer. 

E esta é mais uma forma de os registar. Uma mais-valia para os bracarenses A publicação foi elogiada pelos apresentadores, Ricardo Silva e Bernardo Reis. Na sua intervenção, o provedor da Misericórdia de Braga elogiou Rui Ferreira pelo seu espírito de investigação, que vai deixando testemunhos históricos da cidade de Braga, de que é exemplo o livro “Braga - Ruas – Praças e Avenidas”. «Esta publicação constituirá uma mais- -valia para dar a conhecer a cidade de Braga, na sua multifacetada urbanização, na evolução ao longo de séculos. Com certeza que os bracarenses vão ficar a conhecer melhor os seus locais de vivência, a sua origem, e evolução ao longo dos tempos, ficando Braga com uma síntese urbanística da mobilidade evolutiva e ligada a figuras marcantes desta cidade».

 Por seu turno, Ricardo Silva manifestou «grata honra e responsabilidade» por apresentar o livro. O apresentador elogiou o amor e sobretudo o conhecimento que Rui Ferreira tem de Braga, bem como o «dom feliz» de saber transmitir estes conhecimentos de forma apaixonante. No entender de Ricardo Silva, este livro é, igualmente, uma forma de valorizar o que é de Braga e a sua história, uma oportunidade de voltar a homenagear os titulares das ruas, para questionar os nomes das ruas e praças. O apresentador é da opinião que o livro tem uma «riqueza inestimável», que pode servir como um «manual do conhecimento para os autarcas». Nos agradecimentos, entre muitos outros, Rui Ferreira nomeou Damião Pereira, diretor do Diário do Minho que o convidou a escrever os “Trilhos”. De referir que o livro, com artes gráficas de Ana Amorim, é editado pelo Ponto Braguez e conta com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Braga e da União das Freguesias de São Lázaro e São João do Souto. O livro custa 15 euros e vai estar à venda já a partir de amanhã.