Homens encapuzados, vestidos de preto, algumas vezes a andar descalços e a entoar as matracas pelas ruas da cidade. Assim pode-se descrever a figura marcante do Farricoco, presente na Semana Santa de Braga.
O significado remete à penitência, ao arrependimento. Nas origens, desde os séculos XV/XVI, apareciam a chamar “os pecadores públicos à sua reintegração na Igreja, depois de arrependidos e perdoados. Era a forma do tempo, de entender a misericórdia para com os pecadores, aos quais tinha sido aplicada a indulgência (ou ‘endoença’), destacam os organizadores da Semana Santa.
“As matracas substituíam na altura os sinos, como forma de chamamento, porque os sinos eram silenciados, por ser um tempo de penitência”, sublinha Jorge Santos, da Irmandade da Misericórdia, esta responsável pelos grupos que até hoje participam das procissões.
Os Farricocos aparecem desde a manhã da Quinta-Feira Santa, que era chamada “Quinta-Feira da Penitência”, percorrendo vários pontos da cidade, e à noite abrem a Procissão do Senhor "Ecce Homo”, organizada pela Irmandade da Misericórdia. Na Procissão uma parte dos Farricocos toca as matracas, seguida dos que carregam os fogaréus, que trazem pinhas a arder. “Na Sexta-Feira Santa, já numa atitude de silêncio, incorporam a Procissão do Enterro do Senhor, mas com os fogareiros apagados”, explica Jorge Santos.