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Capitães de Abril partilham memórias da revolução

Capitães de Abril partilham memórias da revolução
Fotografia DM

Rita Cunha

Jornalista

Publicado em 24 de fevereiro de 2024, às 09:42

Testemunhos vivos passaram esta semana pelas escolas secundárias do concelho

Um grupo de alunos da  Escola Secundária de Maximinos participou, ontem, em mais uma sessão sessão de “Conversas de Abril” que, desta vez, teve como convidado o alferes Artur Sá da Costa, que partilhou a sua vivência da Revolução dos Cravos, não esquecendo, também, a crise estudantil de 1969, na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Direito, e que levou à greve aos exames em protesto contra a repressão que existia sobre os estudantes. Esta sessão foi a última desta primeira fase, que abarcou, ao longo da semana, todas as escolas secundárias do concelho. Cada sessão contou com um convidado diferente, mas sempre ligado à revolução do 25 de Abril de 1974. Na Escola Secundária Sá de Miranda esteve o coronel Bacelar Ferreira e Maria Manuel Marques, na D. Maria II o alferes Carlos Amado e Etelvina Sá, na Alberto Sampaio o coronel Bacelar Ferreira e Maria Manuel Marques e na Escola Carlos Amarante esteve o alferes Carlos Amado e Etelvina Sá.

A sessão de ontem, em Maximinos, contou com a presença da vereadora da educação da Câmara Municipal de Braga, que  destacou a importância desta iniciativa no sentido de envolver a comunidade escolar, e em particular, os alunos que já atingiram ou estão prestes a atingir a maioridade, em torno do que esteve na base da Revolução dos Cravos e todo o impacto que teve no país, com a instauração da democracia que hoje vivemos. «Queremos que os alunos participem e ouçam, na primeira pessoa, as memórias dos capitães de Abril que participaram na primeira linha nesta que foi a nossa libertação, e que este seja um momento de partilha de histórias e que os jovens possam tirar dúvidas», disse Carla Sepúlveda, considerando que a semana foi «enriquecedora», já que conduziu «a um exercício de pensamento crítico que é tão necessário nos dias que correm». «Acredito que este projeto também irá despoletar a curiosidade dos alunos envolvidos e gerar um debate profícuo entre o auditório e os palestrantes», sublinhou.

 Para além de esclarecer os alunos e apelar para a sua participação cívica, estas sessões informais visaram preparar a recriação do comício do 25 de Abril, que está marcada para o dia 26 de abril, precisamente no local onde este aconteceu há 50 anos em Braga. Para esta iniciativa estão convidadas as escolas e à população em geral, que irão envergar cartazes com as mensagens de então, usando roupas da época. Das varandas, serão lidos os discursos proferidos. Haverá ainda um recital de homenagem aos homens e mulheres de Abril. Mas antes desta fase realiza-se uma outra, ainda nas escolas, e que passa por uma análise histórica sobre o comício de dia 26 de Abril, a partir das fotografias de José Delgado, e a criação dos cartazes a serem exibidos na recriação. Este projeto, apoiado pelo município de Braga, foi desenvolvido pela Comissão de Homenagem aos Democratas do Distrito de Braga e pela companhia MalaD’arte.