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Associação Empresarial do Minho pede estabilidade política após eleições

Associação Empresarial do Minho pede estabilidade política após eleições
Fotografia DR

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 28 de dezembro de 2023, às 09:35

Ricardo Costa afirma que empresários estão «apreensivos» quanto ao futuro

   O presidente da Associação Empresarial do Minho (AEMinho) revelou ontem que os empresários da região estão «apreensivos» em relação ao futuro do país por causa da instabilidade política que se instalou e que poderá prolongar-se após as eleições legislativas de 10 de março. «Os portugueses serão, mais uma vez soberanos, irão fazer as suas escolhas, mas o cenário prevê-se que seja de alguma instabilidade política e com alguma dificuldade para formar um governo estável», antevê Ricardo Costa. Em declarações ao Diário do Minho, o dirigente referiu que os empresários desejam e pedem estabilidade governativa num ano em que já terão que lidar com uma série de outros desafios como os quase certos aumentos dos custos da energia, das taxas de juro, para combater a inflação, as questões ligadas à transição energética, à transição digital, ao avanço da Inteligência Artificial.

Ricardo Costa espera que o país não caia num impasse que coloque em causa o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) e o Portugal 2030, porque estes instrumentos «são fundamentais» para o desenvolvimento da região e do país e «terão um impacto muito significativo na nossa economia». «Temos dois pacotes financeiros para executar, o PRR, com prazo muito curto, e Portugal 2030 que já deveria estar há muito tempo no terreno e ainda está na sua fase inicial. São fundos que deviam ser estruturais e que nos deviam preparar para alavancar a nossa economia no futuro. Infelizmente não é isso que tem acontecido», lamentou. A pesar do cenário para 2024 não se vislumbrar muito favorável, o presidente da AEMinho acredita que os empresários «estarão à altura dos desafios», até porque «já mostraram a sua resiliência na pandemia, no início da guerra na Ucrânia». «Terá que haver também é uma mudança nas qualificações das lideranças para preparar as empresas para este mercado mais competitivo, este mercado tecnológico onde a Inteligência Artificial vai assumir um papel preponderante», defende.

A promoção das qualificações é uma das apostas da AEMinho, tendo a Associação já alguns projetos para qualificar lideranças intermédias, CEO, empresários. «Vamos incidir a nossa ação na qualificação e na capacitação nas lideranças dos empresários em Portugal para que as  empresas possam dar os passos que são fundamentais para evoluírem e para serem competitivas. Vamos também procurar aproximar mais as empresas da realidade tecnológica e digital», adiantou o dirigente. Ricardo Costa lembrou que esta região é «profundamente indústrial», com setores fortes com o têxtil e metalomecânica que precisam de se «preparar para este futuro que já está à porta». «Temos que ter cada vez mais indústrias de base tecnológica, industrias que deixem de ser conhecidas por mãos de obras barata, mas que se diferenciem na sua tecnologia, nos seus produtos, nos seus serviços, onde a inovação é fundamental. E para isso é muito importante também existir uma cocriação entre o sistema empresarial e as instituições do sistema científico e tecnológico (universidades, politécnicos, centros de investigação, unidades de interface)», acrescentou.