O Prémio Camões 2020 foi hoje entregue, a título póstumo, ao professor Vítor Aguiar e Silva, que foi recordado pela sua vida intimamente ligada ao ensino, ao estudo e à investigação, deixando um legado que ficará para as gerações vindouras em vários domínios, destacando-se o seu contributo no que respeita o estudo do património histórico da literatura portuguesa.
Considerando que o falecimento do professor emérito e catedrático aposentado da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas da UMinho «deixou-nos a todos mais pobres», tanto à universidade como à cultura portuguesa, o reitor da academia minhota lembrou o premiado pelo seu «sólido saber, verticalidade e rigor», não esquecendo a «dedicação esclarecida e empenhada ao projeto civilizacional que a universidade é e que entendeu com fundamental para um país mais livre e justo».
«Podemos todos beneficiar da ação do professor Vítor Aguiar e Silva», disse Rui Vieira de Castro, na cerimónia de entrega do Prémio, dando como exemplos a sua atividade na área da investigação, os trabalhos que realizou na literatura e estudos literários que «são ums referência» e o contributo na consolidação da «sua» UMinho. «Foi um académico íntegro e um homem livre», vincou.
O ministro da Cultura marcou presença no evento, tendo deixado vários elogios ao homenageado por uma vida «dedicada à investigação e ao ensino», tendo «marcado gerações de estudantes» e deixado «um legado que fica para os vindouros».
Pedro Adão e Silva destacou igualmente o facto deste Prémio Camões «distinguir um autor cujo trabalho constitui um olhar renovado sobre o património histórico da literatura portuguesa». Para o ministro, trata-se de «um reconhecimento duplamente adequado»: «Aguiar e Silva era um especialista em Camões, mas era também um autor cujo trabalho aprofundou o conhecimento sobre o património vasto da nossa lingua», disse.
Em representação do júri, Carlos Mendes Sousa lembrou o «particular significado simbólico» da atribuição desta distinção a título póstumo. «Neste edifício [Reitoria da UMinho] situou-se o seu gabinete durante 12 anos, quando foi vice-reitor», disse, vincando que esta edição «é uma das mais justas atribuições» do galardão literário. «É um reconhecimento importante da sua obra e importância do papel quanto às questões da política da língua», disse.
O prémio foi recebido pela filha de Vítor Aguiar e Silva, que se confessou honrada pelo momento. Segundo Joana Aguiar e Silva, esta foi uma atribuição que «muito honrado e sensibilizado» deixou o pai. «Na impossibilidade de cá estar, expresso os nossos devidos e sentidos agradecimentos», referiu.
O Prémio Camões de literatura em língua portuguesa foi instituído por Portugal e pelo Brasil em 1988 para distinguir um autor «cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum». Foi atribuído pela primeira vez, em 1989 a Miguel Torga.