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Nova diretora geral quer apostar em novas áreas para projetar internacionalmente o INL

Nova diretora geral quer apostar em novas áreas para projetar internacionalmente o INL
Fotografia Avelino Lima

Rita Cunha

Jornalista

Publicado em 17 de novembro de 2023, às 18:13

Clivia Sotomayor Torres é a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora geral do INL.

Projetar cada vez mais o INL - Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia a nível internacional, abarcando novas áreas de aposta e apostando na modernização de equipamentos é a ambição da nova diretora geral, que assumiu oficialmente o cargo hoje, sucedendo a Lars Montelius.


Na sua intervenção, no âmbito do Dia Ibérico da Ciência, Clivia Sottomayor Torres começou por destacar o papel que o INL tem tido, nos últimos 15 anos, nas áreas da nanociência e nanotecnologia, liderando várias investigações, mas também no ãmbito da economia do conhecimento.


Como principais objetivos, a cientista, natural do Chile, destacou a consolidação e investimento na investigação de excelência; o aumento da capacidade do INL em algumas áreas geográficas que ainda não foram exploradas; e a identificação de áreas emergentes da investigação científica. Para tal ser uma realidade, urge olhar para as pessoas que compõem o laboratório, que são «o mais importante». «São os que geram conhecimento, que fezem parcerias e identificam outros atores», vincou, defendendo um ambiente de trabalho que «inclua tempo para refletir e pensar». «Não podemos ter ideias inovadoras  se somos constantemente pressionados para fazer tudo», ressalvou.


Para Clivia Sottomayor Torres, este é um desafio para si e para todos os colegas porque «o INL tem de crescer não só em números, mas também em reconhecimento internacional», mostrando-se «uma infraestrutura valiosa».


O facto de o INL contar com colaboradores de diversas nacionalidades é, para a nova diretora, uma vantagem neste caminho da internacionalização, mas defendeu a necessidade de uma maior diversidade e inclusão, assim como o fomento de cada vez mais acordos com outros países.


O facto de alguns dos equipamentos usados em micro e nano fabricação e microscopia eletrónica estarem já obsoletos é, para a nova diretora geral, outro dos desafios, estando a ser feito um estudo para averiguar quais poderão ser substituídos. 
Questionada sobre esta questão, a ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior lembrou que «o INL está envolvido em muitas agendas mobilizadoras e tem uma agenda muito grande para comprar equipamentos», sendo que «parte  desses pedidos estão já neste momentos a ser feitos».

Sobre a tomada de posse da nova diretora geral do INL, Elvira Fortunato aproveitou para dar as boas-vindas e desejar sorte, tendo manifestado vontade de «fortalecer a posição» do laboratório «não em Portugal, mas acima de tudo no mundo». «Nós temos aqui capacidades únicas, do melhor que há em termos internacionais, e temos de as explorar cada vez mais», disse, à margem da sessão. 


Sobre as novas apostas a nível tecnológico e científico, a ministra destacou a aposta no European Chips Act, que pretende garantir que, até 2030, a disponibilidade de chips represente 20% da produção global. Aqui, a área dos semicondutores é nevrálgica. «Queremos reforçar não só a indústria de semicondutores que existe em Portugal, mas acima de tudo também atrair novas empresas para esta área e penso que o INL tem todas as facilidades para ser um parceiro e ter um papel decisivo na área dos semicondutores no país», disse, dando como exemplo as possíveis aplicações na microeletrónica e eletrónica, abarcando produtos como os carros, máquinas de lavar, telemóveis e computadores. 


Já Madalena Alves, presidente do Conselho Diretivo da FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, considerou que, com esta nova liderança,  o INL se prepara para entrar numa «terceira fase de desenvolvimento». Isto porque Clivia Sotomayor Torres é «uma pessoa reconhecida que irá elevar o nível da investigação que é feita no laboratório e atrair stakeholders externos e empresas».