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Augusto Santos Silva levou “Missão Democracia” à EB 2,3 de Lamaçães

Augusto Santos Silva levou “Missão Democracia” à EB 2,3 de Lamaçães
Fotografia Avelino Lima

Carla Esteves

Jornalista

Publicado em 07 de novembro de 2023, às 09:30

Augusto Santos Silva conversou com os alunos da EB 2,3 de Lamaçães.

O presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, esteve ontem na EB 2,3 de Lamaçães, para participar na apresentação do terceiro volume da coleção “Missão: Democracia”, “Leva-me ao teu líder” escrito por Afonso Cruz e ilustrado por Mariana Rio. A sessão, integrada no Festival Literário Utopia contou também com as presenças da vice-presidente do Município de Braga, Sameiro Araújo, e da vereadora da Educação, Carla Sepúlveda.

Foi perante uma biblioteca cheia de alunos e docentes que Augusto Santos Silva falou acerca do livro, e em particular sobre o conceito de “Democracia”. Antes, o presidente da Assembleia da República explicara que este livro é o terceiro de uma coleção destinada aos jovens e que visa comemorar os 50 anos do 25 de Abril. «O autor procurou encontrar uma resposta para alguém que viesse de fora perguntar “quem é que manda em vocês? e a melhor maneira de caraterizarmos uma democracia é responder a esta pergunta dizendo “quem manda em nós somos nós”, pois nós é que escolhemos quem nos vai representar e quem nos há-de governar, quem manda na nossa freguesia, na nossa Câmara Municipal, no Governo, na presidência, e volta meia volta, escolhemos outros», disse.

Numa linguagem adaptada aos jovens, Augusto Santos Silva vincou ainda que «não se trata apenas de escolher», mas antes de «estarmos sempre de olho naquilo que eles fazem». «Não se trata apenas de pôr um papelinho numa urna, mas ao longo do tempo darmos as nossas opiniões, as nossas sugestões, avançarmos com as nossas ideias e fazermos o nosso juízo», disse aos jovens.

Questionando o público sobre qual a relação existente entre democracia e o Festival Utopia, Augusto Santos Silva, realçou que «para muita gente a democracia começou por ser uma utopia» sobretudo na época da ditadura, recordando algumas das limitações existentes na altura. «É muito importante que olhemos para a democracia assim: como algo que agora já temos, mas que queremos também continuar a ter. Portanto a democracia depende de nós», sustentou, vincando que se somos nós que temos o direito de escolher, também temos a responsabilidade inerente a este direito.

Sessão contribui para literacia democrática dos alunos

Antes, a diretora do Agrupamento de Escolas D. Maria II, Ângela Meireles, vincara que o local onde foi apresentada a obra, a Biblioteca Escolar João Dantas, nada mais é do que «um lugar de eleição para a descoberta do livro e a criação da utopia». Considerou ainda que a formação, no âmbito do Festival Utopia, «contribuiu par a literacia democrática dos alunos». 

O autor da obra, Afonso Cruz, também se referiu ao conceito de democracia, ao qual associou outros conceitos, como altruismo e auscultação da opinião dos outros. «Eu acho que a democracia não nasceu na Grécia Antiga, mas do gesto básico e diário de auscultar a opinião dos outros», disse Afonso Cruz. Referindo-se ao conceito de “utopia”, Afonso Cruz reforçou que «é a utopia que serve para que continuemos a caminhar, sendo que a democracia também é um caminho».

Por seu turno, a ilustradora Mariana Rio explicou parte do processo criativo que esteve na base da realização das ilustrações, revelando aos jovens que para tal recuou no tempo para perceber como seria ter a idade daqueles a quem a obra se destina, e orientou-se por todo um universo de experiências e memórias, nomeadamente as contadas pelo seu avô acerca de como era viver em ditadura. «Tentei materializar, através da imagem, alguns dos mundos com os quais temos que contactar neste livro», afirmou a ilustradora.