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Confraria Gastronómica do Abade instala sede na antiga escola primária de Priscos

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Fotografia DM

Luísa Teresa Ribeiro

Chefe de Redação

Publicado em 15 de outubro de 2023, às 10:14

Organização prepara plano de atividades especial para festejar 20 anos em 2024.

A Confraria Gastronómica do Abade vai instalar a sua sede em metade da antiga escola primária de Priscos. A cedência de espaço por parte da Câmara Municipal de Braga coincide com a preparação de um plano de atividades «muito ambicioso» para 2024, ano em que esta organização festeja 20 anos de atividade.

A revelação foi feita pelo presidente da Confraria do Abade, Agostinho Peixoto, no jantar confrádico mensal de outubro, que decorreu no restaurante A Flor do Sal, em Palmeira, com a presença da administradora e diretora de enologia da Lusovini, Sónia Martins, e do professor José Barroco, autor do livro “O Rei Zás-Trás e o abade que lhe deu para trás”.

O dirigente congratulou-se com a cedência das instalações, lembrando que a Confraria Gastronómica há muito que ansiava por um espaço onde pudesse reforçar o seu trabalho de promoção da gastronomia tradicional, sobretudo a bracarense, com destaque para o Pudim Abade de Priscos.

«Faz todo o sentido termos a nossa sede em Priscos, tendo em conta que a nossa figura inspiradora é Manuel Joaquim Machado Rebelo, mais conhecido por Abade de Priscos. Tivemos convites para irmos para outros locais, nomeadamente Vila Verde, concelho de onde o abade era natural, mais especificamente de Turiz, mas consideramos que Priscos é mais interessante, uma vez que o famoso pudim está associado a esta freguesia bracarense», explica, sublinhando a «relação muito profícua» com a Câmara vilaverdense.

Agostinho Peixoto assegura que as instalações vão estar «de portas abertas a toda a comunidade», impulsionando a promoção da gastronomia tradicional, incluindo junto dos mais novos. «Vamos proporcionar a quem nos visitar iniciativas para aumentar o gosto e o conhecimento sobre o mundo da gastronomia e dos vinhos», perspetiva.

Este responsável afirma que «a cedência deste espaço vem na hora ideal porque se aproxima a comemoração dos 20 anos da Confraria Gastronómica do Abade», que foi fundada a 9 de novembro de 2004.

Está, por isso, a ser preparado um «plano de atividades muito ambicioso, em que grande parte dele passa pela sede». «Vai ser um ano repleto de atividades, como workshops, seminários ou provas gastronómicas e vínicas. Vai haver um conjunto de iniciativas que vai colocar a Confraria e o Abade, mas também Priscos e a cidade de Braga no mapa da gastronomia nacional», adianta, revelando que a intenção é pôr «em destaque os mais emblemáticos pratos bracarenses».

O presidente mostra «orgulho» pelo facto de, ao longo de duas décadas, a Confraria Gastronómica «nunca ter deixado de tertuliar», com a realização do jantar confrádico mensal, que desde janeiro de 2022 passou a contar com convidados que enriquecem os serões, designadamente produtores de vinhos, que ganham um palco privilegiado para a apresentação das suas referências.

Valorizar vinhos portugueses

A convidada de outubro foi a CEO e diretora de enologia da Lusovini – Vinhos de Portugal, com sede em Nelas, Viseu, na região do Dão, que apresentou vinhos da Bairrada, Dão e Douro, mostrando a diversidade do portfólio deste projeto empresarial, que nasceu em 2009.

Oriunda da Anadia e formada em enologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, Sónia Martins contou que, durante quatro anos, a empresa tinha apenas uma vinha, a Pedra Cancela, no Dão. «Nesse período, queríamos perceber se havia mercado para os vinhos portuguesas», explica.

Após uma etapa marcada por parcerias, em 2015, adquiriram vinhas no Alentejo, em Portalegre, na Serra de S. Mamede, a 750 metros de altitude. Atualmente, têm vinhos nas regiões dos Vinhos Verdes, Dão, Bairrada, Douro e Alentejo.

Como PME, a empresa com a sua sede no interior de Portugal, «luta diariamente nos quatro continentes onde opera – África, América, Ásia e Europa –, na promoção e valorização dos vinhos portugueses. «A nossa lógica não é o crescimento em volume, mas em valor. Portugal não se vai afirmar a nível internacional pelo volume, mas pela diferenciação», argumenta.

Livro leva Abade de Priscos ao público infanto-juvenil

Fazer com que o público infanto-juvenil conheça a aldeia de Priscos e o pudim criado pelo abade Manuel Joaquim Machado Rebelo foi o objetivo que levou José Barroco a escrever o livro “O Rei Zás-Trás e o abade que lhe deu para trás”, que conta com ilustrações de Nuna Magalhães.

Natural de Lamego, a viver em Priscos desde 2003, este professor bibliotecário na EB 2,3 de Real constatou que as crianças não conheciam o Pudim Abade de Priscos, nem a freguesia.

Surgiu, então, uma publicação em verso, que pretende despertar a curiosidade dos leitores entre os 6 e os 12 anos. A narrativa é ficcionada, sendo a biografia do Abade de Priscos e uma receita do pudim cedida por familiares do sacerdote remetida para o marcador do livro.

Depois do lançamento na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, a obra está agora a ser apresentada em escolas do concelho e de diversos pontos do país.

José Barroco confessa que, por causa da sua formação como professor de Português, tudo o que escreve tem uma vertente pedagógica.

Essa caraterística também está presente na sua primeira obra, intitulada “Benedita Catita e Sebastião Zangão”, que teve como inspiração o gosto que o autor tem pela apicultura. Na calha já está uma nova publicação.