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Oposição solidária com moradores contra ginásio na rua Luís Soares Barbosa

Fotografia DM

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 12 de setembro de 2023, às 10:15

Câmara não recua na decisão, num processo que teve «ampla discussão pública».

Os vereadores da oposição na Câmara de Braga expressaram esta segunda-feira a sua solidariedade à comissão de moradores da Rua Luís Soares Barbosa que contesta a construção naquela artéria de um centro desportivo, num terreno que vem sendo utilizado como espaço verde.

Alguns moradores marcaram ontem presença na reunião de câmara, apontando um rol de argumentos contra a instalação do equipamento (com ginásio e piscinas), na tentativa de fazer a maioria recuar na sua decisão. Notaram que esta zona, junto ao Braga Parque, densamente povoada, é das zonas do país com maior poluição atmosférica, tem falta de espaços verdes e carece de áreas de absorção de chuvas.

O vereador da CDU considerou que este projeto, já aprovado e licenciado pela Câmara a um privado, constitui um passo atrás em termos ambientais e na melhoria da qualidade de vida na cidade, uma vez que vai ocupar um espaço da cidade que era utilizado pelos moradores como espaço verde. «O espaço tinha mesas e outros equipamentos e estava à disposição numa zona muito densamente povoada da cidade. É um espaço verde que faz falta à cidade», disse Vítor Rodrigues. A CDU, que levou o assunto à reunião de câmara, foi a única força partidária que votou desde o início contra este novo empreendimento, solidarizando-se com a comissão de moradores.

O PS também de mostrou solidário com aqueles moradores e questionou a utilidade de mais um ginásio naquela zona da cidade. «O presidente da Câmara diz que a decisão está tomada, mas nós esperamos que haja bom-senso e a situação possa ser revertida», declarou Artur Feio. Adolfo Macedo acrescentou que esta é uma decisão «estritamente política» que vem «prejudicar» não só os moradores, mas também o ambiente, numa zona das «mais poluídas da Europa».

Confrontado com a questão, Ricardo Rio disse que percebe a perspetiva dos moradores, mas lembrou que este processo «não esteve no silêncio, teve uma ampla discussão pública» e «tramitou nos órgãos municipais atempadamente de forma visível».

Esclareceu que aquele terreno está em zona de equipamentos e não é um espaço verde, e que o processo foi discutido com os representantes dos moradores, neste caso a Junta de Freguesia de S. Victor, que o «validou e apoiou». «Avançou seguindo todas as tramitações formais, em todos os orgãos municipais. E neste momento estão reunidas as condições para o promotor avançar logo que tenha vontade de o fazer. Tem as licenças, tem o contrato e está apto para avançar», acrescentou.

O projeto teve pareceres favoráveis da Agência Portuguesa do Ambiente, da Infraestruturas de Portugal, da CCDR-N.