Fotografia: Avelino Lima

APAV celebra 30 anos em Braga com quase oito mil atendimentos em 2021

A maioria das vítimas é referenciada através das forças policiais e dos centros de saúde. Em 2021 o Gabinete de Apoio à Vítima atendeu 1839 casos.

Carla Esteves
21 Jan 2023

O Gabinete de Apoio à Vítima (GAV) de Braga da Associação de Apoio à Vítima (APAV) comemora, hoje, 30 anos de vida. São três décadas a apoiar, de forma individualizada, qualificada e humanizada, as vítimas de crimes, através de serviços gratuitos e confidenciais. O objetivo é tão apenas um: ajudar quem sofre pela tirania ou injustiça de alguém, e contribuir para que possa reerguer-se e começar uma nova vida.

Em entrevista ao Diário do Minho, a gestora do GAV de Braga, Marta Fernandes, revelou que, só ao longo do ano de 2021,  o GAV de Braga registou um total de 7.644 atendimentos a 1.578 utentes, que poderão ser vítimas, familiares ou amigos, tendo assinalado 1.909 crimes e outras situações.

«No seu primeiro ano, em 1993, o GAV de Braga apoiou 55 vítimas. Os números têm vindo em crescente e em 2020 já tínhamos atendido 1489 utentes», avançou Marta Fernandes, esclarendo que a categoria criminal em destaque entre os crimes assinalados é, sem dúvida, a dos “crimes contra as pessoas”, que representou, em 2021, 1839 dos casos atendidos, correspondendo a 96,3% dos mesmos.

Segundo a responsável a maioria das vítimas é referenciada através das forças policiais e dos centros de saúde, mas em Braga há uma rede articulada, que permite várias fontes de referenciação, como as equipas de prevenção de violência de adultos, os centros de saúde, os técnicos que estão no terreno na área social e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ).

«Temos múltiplas portas de entrada, mas também situações que chegam por iniciativa da própria vítima ou de familiares e de amigos, que entram em contacto connosco», contou.

As situações de denúncia por iniciativa do próprio utente ocupam já um peso importante,  sendo que em 2021 no GAV de Braga, em cerca de 50% (536) das situações, a denúncia foi efetuada pelo próprio, ocupando também um lugar de destaa referenciação feita por familiares (163; 15,1%).

Expressões como: «Não sei se estou a ligar para o sítio certo…» são , segundo a gestora do GAV, algumas das mais frequentes quando as vítimas telefonam. Denunciam insegurança, vergonha de se exporem, mas também a necessidade de um ombro amigo, e a esperança de uma solução para um problema que, às vezes, se arrasta há anos.

«Este gabinete serve também para isso… para as pessoas se valorizarem. Para sentirem que têm o seu estatuto, para reconhecerem os seu direitos e saírem daqui mais informadas, mais capacitadas, e empoderadas para lidar com aquele eventual processo que possa nascer», vincou.





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