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Olhamos de frente para o futuro!

O Diário do Minho celebra hoje o seu primeiro centenário.

Damião Pereira
15 Abr 2019

[editorial]

O Diário do Minho celebra hoje o seu primeiro centenário. Uma idade que não está acessível a todos. Mas quando acontece, é motivo de júbilo. E ainda mais se pensarmos que a vitória sabe sempre melhor se nada tiver de fácil.

Chegados aqui, temos a obrigação de olhar para o passado com os olhos postos no futuro, conscientes de que quem nos antecedeu não poderá, nunca, ser esquecido. São para eles os nossos primeiros agradecimentos. Não estaríamos aqui «se antes alguém não tivesse o cuidado de plantar esta robusta e frondosa árvore», como afirma Monsenhor Silva Araújo no livro “Um capítulo da história do Diário do Minho”,

Mas também aos de hoje, funcionários, colaboradores, assinantes, anunciantes e fornecedores, que dia-a-dia estão connosco, numa luta quotidiana para levar até aos nossos leitores o que de melhor se pode fazer em comunicação, dirigimos o nosso muito obrigado. Contamos com todos vós. Temos mais cem anos pela frente. E aqui, atrevo-me a citar um outro ex-diretor, o Cónego João Aguiar Campos, na edição dos 80 anos do nosso Jornal: «Quem quiser fazer caminho, venha daí!».

No entanto, não é segredo para ninguém que a Comunicação Social atravessa hoje grandes constrangimentos, acarretando, incontestavelmente, momentos de enorme preocupação quanto ao futuro.

O Diário do Minho não é exceção. Assim, todos os dias trabalhamos para contrariar esta tendência, que se vai acentuando cada vez mais. Mas deixarmo-nos vencer por esta realidade, que vai diminuindo as vendas, assinaturas e contratos publicitários não está nos nossos planos.

Olhamos o futuro com a devida esperança.

Procuramos, por isso, adaptar-nos a novos modelos de negócio que, no futuro, se poderão manifestar imprescindíveis ao desenvolvimento do Diário do Minho, reforçando o nome da marca, otimizando, ao mesmo tempo, a sustentabilidade do nosso Jornal. Tudo faremos em prol de um investimento consciente e responsável, porque «quem não investe corre o risco de ficar para trás», como defendia o saudoso Cónego Fernando Monteiro.

Tendo por princípio que a edição impressa é a nossa primeira opção, temos procurado promover uma abordagem mais próxima dos acontecimentos. Assim, estamos cada vez mais presentes em cada um dos 24 municípios que constituem a Região Minho, reafirmando a importância do Jornal para o desenvolvimento da região.

Também o aparecimento da revista “Minha”, em dezembro de 2018, veio reforçar o caudal informativo do grupo. De distribuição gratuita, pretende uma maior aproximação ao público mais jovem e diversificado, oferecendo conteúdos únicos.

A sustentabilidade do Diário do Minho passa, contudo, na sua maior parte, pelo sucesso da Gráfica da empresa, que imprime cerca de 130 jornais regionais, além de livros, revistas, catálogos, etc, estando preparada para responder com qualidade e rapidez a todas as solicitações do mercado.

Como já referi noutras ocasiões, queremos continuar a trabalhar no papel, melhorando e enriquecendo os conteúdos do Diário do Minho, tornando-o mais atrativo. E, assumidamente, entendemos que só teremos futuro se, como jornal regional, apostarmos cada vez mais na proximidade, dando a mesma relevância às edições impressa e digital.

De frente para o mundo digital

Conscientes de que “não vale a pena taparmos o vento com as mãos”, porque ele acaba sempre por passar, vamo-nos, igualmente, adaptando aos novos desafios digitais, apostando naquilo que fazemos melhor: informar.

Sabemos que, hoje, a sociedade consome cada vez mais informação, fazendo das redes sociais fontes de eleição, aparentemente muito corajosas, mas sem identidade e onde credibilidade, confiança e qualidade não são preocupação. Também aqui exigimo-nos fazer a diferença, conquistando o rigor, a isenção, a credibilidade e a pluralidade conseguida pela edição impressa.

A propósito das coisas boas e más da internet, afirma o Papa Francisco na sua mensagem para o 53.º Dia Mundial das Comunicações Sociais: «hoje, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana», alertando para o facto de que «se é verdade que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito».

Muito na moda nos dias de hoje, as “fake news” vão conquistando demasiado espaço em áreas como a política e a economia, tornando-se quase suficientes para a eleição de candidatos que se mexam bem nas redes sociais ou para o aumento desmesurado do valor das ações de determinadas empresas.

Há dias, a agência Lusa noticiava o aparecimento do site Maldita.es, uma página de caçadores de notícias falsas e de desinformação em Espanha, que se dedica a monitorizar o discurso político e as informações que circulam nas redes sociais, dando aos cidadãos «as ferramentas para que estes não sejam enganados».

Ora, não tenhamos dúvidas que nos dias de hoje as redes sociais são terreno fértil para quem quer desinformar. A propósito disto, diz o fundador do site Maldita.es que «a ‘desinformação’ é um fenómeno “mais amplo que sempre existiu”, mas agora é mais universal porque, com as novas tecnologias, qualquer pessoa o pode fazer».

E nisto se vai perdendo a qualidade da democracia, que depende totalmente de uma imprensa livre e que pode ser usada como arma contra o populismo.

E neste combate, é igualmente necessária a consciência de que sem democracia não é possível uma imprensa livre nem jornalistas livres.

Nestes cem anos, o Diário do Minho percorreu caminho «sem se curvar diante dos homens de quaisquer poderes, mantendo a independência possível a qualquer órgão de comunicação social que pretenda viver com dignidade», (Silva Araújo, 2010 – Um capítulo da história do Diário do Minho).

Então, alguns poderão perguntar hoje qual o segredo de um jornal regional como o Diário do Minho, pertencente à Igreja, ter chegado ao primeiro centenário. Estou em crer que atingiu essa idade precisamente porque, apostando na proximidade, sempre se mostrou aberto ao pluralismo e à diversidade de opiniões, valorizando, sobretudo na divulgação noticiosa, o homem todo e todos os homens.

Cem anos é muito tempo.

E neste tempo, foram muitos os que quiseram fazer caminho. E nestes muitos assenta todo o êxito do Diário do Minho. É para eles o nosso sincero agradecimento. Continuaremos, juntos, a defender valores e princípios, na certeza de que contribuiremos para um mundo melhor e uma sociedade mais justa.




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