twitter

Campanha do Banco Alimentar é «o momento de cada um fazer a diferença»

Campanha do Banco Alimentar é «o momento de cada um fazer a diferença»
Fotografia

Publicado em 02 de dezembro de 2017, às 09:45

A recolha de bens alimentares decorre este fim de semana, dias 2 e 3 de dezembro, em mais de cem superfícies comerciais do distrito de Braga, entre outros em todo o país.

O momento de cada um fazer a diferença. É através deste apelo que Pilar Barbosa, do Banco Alimentar Contra a Fome de Braga, antecipa mais uma campanha que arranca já este fim de semana em cerca de cem superfícies comerciais de todo o distrito. Os últimos dias têm sido de alguma atividade na preparação de mais uma campanha, de modo a que tudo funcione em termos logísticos e humanos. No armazém do BA, os voluntários vão ajudando a colocar as mesas distibuídas por categorias, neste caso bens alimentares. Arroz de um lado, óleo, leite e outros alimentos do outro. No entanto, nada se compara à azáfama que serão os próximos dois dias. Os bens alimentares recolhidos nos hipermercados serão depositados no armazém, várias vezes por dia, o que permitirá à equipa saber em tempo real a quantidade angariada em cada espaço. Enquanto isso, os voluntários separam os alimentos. Posteriormente, estes  bens são geridos através de um programa de gestão de stocks e, depois, distribuidos mensalmente por instituições do distrito referenciadas, às quais cabe a tarefa de os entregar às famílias carenciadas às quais dão resposta. Nesta campanha que antecede o Natal, e à semelhança das outras, o número de voluntários é de aproximadamente três mil. E o empenho de cada um, nas superfícies comerciais ou no armazém, assim como de todos os que contribuem para a causa oferecendo alimentos, é fundamental. «O esforço de muitos faz a diferença», considerou Pilar Barbosa, vincando que «toda a ajuda importa», mesmo que esta seja convertida em apenas um pacote de arroz ou num litro de leite. Aliás, esta «dependência» tanto no que respeita os volutários como instituições e empresas chega a ser tal que o Banco Alimentar Contra a Fome não existiria, até porque «há sempre pedidos de ajuda». Mas o trabalho do Banco Alimentar não se esgota  nas campanhas que realiza, por norma, nos meses de maio e dezembro. Antes pelo contrário, este é uma constante ao longo de todo o ano, uma vez que as necessidades das famílias carenciadas também não param e estas apenas representam 15 por cento do total angariado. Acima de tudo, este trabalho faz-se através do contacto estabelecido com empresas que doam produtos com um prazo de validade perto do fim mas que ainda estão em boas condições para serem consumidos ou que não podem ser comercializados devido a um erro na rotulagem. Há ainda entidades que cedem excedentes, como legumes e frutas. «É um volume muito grande e isso gere-se com parcerias que são criadas ao longo do tempo, sendo que não faríamos nada se não tivessemos instituições que nos apoiassem a vários níveis», explicou a responsável, considerando que, embora pudessem ser sempre mais, há empresas «fabulosas» que não têm mãos a medir no que à solidariedade diz respeito. O mesmo acontece com os portugueses e, neste caso em particular, com os minhotos e bracarenses. «Todos têm sido muito solidários, têm-nos dado provas disso ao longo do tempo. E, embora este ano seja particularmente difícil porque já lhes foram pedidas muitas ajudas, mais uma vez nos dão provas de que quando acreditam estão lá e unem-se para isso», referiu. Esta solidariedade reflete-se de igual modo na angariação de voluntários para as campanhas, sendo que, com maior ou menor dificuldade, cerca de três mil arregaçam as mangas em prol do bem dos que mais necessitam. «Há alturas em que sentimos maiores dificuldades, mas isso prende-se com um fim de semana alargado ou com os afazeres que as pessoas terão, mas no geral sabemos que podemos contar com eles», garantiu, escusando-se a traçar objetivos para a campanha de amanhã e domingo. «Não lutamos para rankings mas para gerir bem o que cá chega», frisou Pilar Barbosa. Recorde-se que na última campanha, em maio deste ano, o Banco Alimentar de Braga angariou 126 toneladas de alimentos. O leite está entre os bens alimentares que mais falta fazem às famílias, assim como os enlatados, o arroz e as massas. Contudo, «estamos abertos a todos os produtos».  

Pedidos de ajuda continuam a aumentar

  Os pedidos de ajuda não param de aumentar. Por isso são tão importantes campanhas como as do Banco Alimentar. «Há um aumento da procura e chegam-nos pedidos aos quais não conseguimos dar resposta porque não temos recursos humanos para tal. Ainda na semana passada registamos mais quatro pedidos de pessoas desempregadas que recebem o RSI e que estão com uma grande dificuldade em gerir essa situação», explicou Ana Paula Vieira, do Projeto SA, uma das 470 instituições de Braga que recebe o apoio do BA, apoiando 28 famílias. De acordo com a responsável, o rosto da pobreza são, atualmente, as famílias monoparentais ou em que o pai ou a mãe, com filhos a cargo, esteja numa situação de desemprego. «Nestes casos é extremamente difícil manter o pagamento de rendas e assegurar a alimentação», referiu. Há ainda o caso de pessoas que vivem sozinhas, sobretudo na faixa etária dos 30 a 40 anos de idade, com baixa escolaridade, e que estão desempregadas. Situações que reforçam ainda mais o valor deste tipo de ações e das instituições que as praticam, não só pela entrega dos bens em si mas também porque, ao fazê-lo – no caso do Projeto SA a entrega decorre todas as terças-feiras, na casa das pessoas –, é possível estabelecer uma empatia com as famílias e dar-lhes um atendimento personalizado que pode estender-se a outro tipo de ajudas, como no acompanhamento a consultas médicas ou na procura de emprego. Também Teresa Marques, voluntária que integra um grupo de visitadores às famílias, considerou que a procura de ajuda tem aumentado. Por isso, «esta é uma ajuda preciosa», permitindo às instituições terem um "fundo de maneio" para outros apoios.
Autor: Rita Cunha e Ana Marques Pinheiro