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Wuhan Coronavírus: a timeline de um novo surto viral em curso

No início de dezembro de 2019, as autoridades de saúde chinesas identificaram alguns casos de pneumonia, possivelmente viral, na cidade de Wuhan (China). Os casos tinham em comum o facto de terem sido identificados em pacientes que frequentavam o mercado local de peixe, que é também um importante centro de comercialização de animais vivos entre os quais aves, morcegos e cobras. A grande maioria dos casos apresentava sintomas como febre, tosse e dificuldades respiratórias.

A comunidade científica rapidamente se disponibilizou para tentar identificar o agente responsável por este surto. A 7 de janeiro foi identificado como sendo um novo tipo de Coronavírus com características genéticas muito semelhantes às do Coronavírus responsável pela síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV) identificada em 2002 e pela síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV) em 2012. Os coronavírus são conhecidos desde os anos 60 por causarem infeções respiratórias em seres humanos e animais. De acordo com o Centro para Controlo de Doenças dos Estados Unidos (CDC) os sintomas associados com este novo coronavírus podem começar entre dois e 14 dias após a exposição e incluem tosse, febre e dificuldades respiratórias. (https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/index.html).

As autoridades chinesas declaram a primeira morte associada ao provisoriamente chamado 2019-nCoV a 9 de janeiro – e começaram as dúvidas quanto ao risco associado a esta infeção. Apesar de, até àquela data, não haver qualquer evidência da possibilidade de transmissão entre humanos a Organização Mundial de Saúde (OMS) preparou documentação para todos os países se poderem prevenir para este novo vírus, incluindo o rastreio, monitorização, diagnóstico e comunicação de casos suspeitos (https://www.who.int/health-topics/coronavirus/laboratory-diagnostics-for-novel-coronavirus).

O aparecimento de surtos provocados por novos agentes patogénicos na população é obviamente um grave problema de saúde pública. A comunidade científica tem um papel muito importante na disponibilização de tecnologias para a identificação rápida dos agentes, e também na partilha de dados que possam permitir estudar o comportamento do vírus – e é o que os investigadores procuram fazer, tentando identificar a fonte da infeção e contribuir rapidamente para o seu controlo.

Desde então o número de casos suspeitos tem vindo a aumentar e esta sexta-feira já tinham sido confirmadas 26 mortes num total de 887 doentes confirmados no território Chinês. No início da semana tinham sido identificados os primeiros quatro casos fora da China: dois na Tailândia, um no Japão e um caso na Coreia do Sul. As autoridades chinesas confirmaram ainda a transmissão deste vírus entre humanos, identificado em 15 profissionais de saúde que estavam a tratar os pacientes. Esta sexta-feira já tinham sido declarados casos confirmados em mais países (Hong Kong, Macau, ilha Formosa/Taiwan, e Estados Unidos) e vários casos suspeitos em outros países como a Escócia.

Todos os casos reportados fora da China tinham (até à data) história de estadia recente em Wuhan e como forma de prevenir a disseminação da infeção as autoridades chinesas mandaram encerrar a entrada e saída de Wuhan, Huanggang e Ezhou onde vivem mais de 18 milhões de pessoas. Esta sexta-feira, esse bloqueio de fronteiras expandiu-se a doze cidades – contendo 35 milhões de pessoas. Apesar do previsível aumento da circulação do vírus na população, a OMS considera ser "muito cedo" para declarar uma emergência de saúde pública internacional.

A origem deste novo vírus ainda não é conhecida, contudo existem já alguns estudos publicados que apontam para uma recombinação de coronavírus de morcegos e de outra espécie ainda desconhecida (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31967321). Esta situação aliada ao facto de existirem evidências de transmissão entre humanos, reforça o alerta emitido pela Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doença para a existência de risco moderado de infeção para visitantes da cidade de Wuhan assim como o aumento da probabilidade de importação do agente para a Europa (https://www.ecdc.europa.eu/en/novel-coronavirus-china). No entanto, apesar de existirem voos diretos/indiretos entre a Europa e a região de Wuhan, a organização europeia não recomenda, para já, quaisquer restrições ao tráfego internacional.

Em Portugal, a Direção Geral de Saúde (DGS) recomenda a todos os viajantes de e para Wuhan, Beinjing, Guangdong e Shangai:

  1. Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infeções respiratórias agudas;

  2. A lavagem frequente das mãos, principalmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente onde estes vírus possam circular;

  3. Evitar contato com animais vivos ou mortos em mercados, ou animais selvagens;

  4. Praticar etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);

  5. Na presença dos sintomas sugestivos de doença respiratória, durante ou após a viagem, recomenda-se que contactem as autoridades de saúde relatando a viagem.


Autor: Hugo Sousa
DM

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26 janeiro 2020