Na edição do Diário do Minho do passado dia 21 de janeiro, com o título “O sucesso de um coletivo”, o Presidente do Conselho da Administração do Hospital de Braga, João Porfírio Oliveira, deixou o seu testemunho para exaltar as qualidades dos “profissionais, tradicionalmente, conhecidos pela sua excelência e dedicação”.
A minha legitimidade para propor o tema em epígrafe resulta do facto de ter sido intervencionado no tempo em que a gestão do Hospital era uma Parceria Público Privada (PPP) e agora, mais recentemente, no domínio de Entidade Público Empresarial (EPE), primeira instituição do país a viver esta alteração jurídica substancial.
A minha experiência pessoal no âmbito das duas fases de intervenção, leva-ma a concluir, sem margem para dúvidas, no sentido de que os serviços por onde passei funcionam bem melhor que na fase anterior, com funcionários bem preparados para ajudar o período difícil de internamento dos doentes mais graves. Mas, o meu principal voto de louvor vai para a Equipa Médica que me operou, ou seja, para a Equipa do Dr. Carlos Alegria, com especial relevo para o Médico que me seguiu diretamente, Dr. Miguel Afonso, de reconhecidos méritos, no âmbito dos valores humanistas e profissionais, exemplos a seguir na formação de futuros jovens médicos.
Defende o Administrador João Porfírio Vieira, na sua referida crónica, que “o Hospital de Braga” é o espelho de uma transição para EPE que se caraterizou por uma colaboração tranquila e sem sobressaltos, onde o atual Conselho da Administração, a Comissão Executiva da então Escala Braga e a ARS do Norte, num trabalho conjunto, levou a que todos os processos fossem transferidos de forma calma e segura”.
Vários outros pontos de interesse nos revela o autor da crónica.
Não sendo eu um entendido nos assuntos de eficácia dos serviços de saúde, resta-me chamar à colação os princípios da dignidade humana que deverão presidir a todo o Serviço Nacional de Saúde (SNS), quando se lida com a doença e a vida humana. Em termos genéricos, dir-se-á que a dignidade é parte da nossa humanidade, um direito fundamental em si mesma, mas também a base dos direitos fundamentais. Por sua vez, o reconhecimento da dignidade é inerente a toda a família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis, constituindo o fundamento da liberdade, da justiça e da paz social.
A dignidade humana é também o reconhecimento de que todos os seres humanos possuem um valor intrínseco à sua humanidade e que, por isso, dignos de respeito e detentores destes direitos, sem restrições nem exceções.
Dão-nos ânimo todas estas notícias que nos lembram que a esperança e o trabalho contínuo têm frutos positivos. Mas, haverá ainda muito caminho a fazer para se conseguir em pleno a garantia da dignidade para todos. Até lá convém continuarmos juntos neste sonho e nesta visão com a confiança de que a nossa humanidade prevalecerá.
Parabéns à Administração pelo “sucesso coletivo” e um bem haja a todos os profissionais por fazerem da sua vida a garantia da humanidade.
Autor: Narciso Machado