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Votemos com responsabilidade e esperança

É já Domingo que vamos escolher o presidente da República, que vamos votar; e porque votar é um ato de afirmação e vontade, o voto dá-se, não se vende nem trafica; porque dar o voto em liberdade é confiar, assumir responsabilidades, escolher caminhos sem pressões ou demagogias; e, por isso, um povo adulto e culto impõe-se claramente nas urnas, quando sabe o que quer, como quer e... por onde quer ir. Pois bem, sendo a democracia o menos mau dos sistemas políticos, no dizer de Winston Churchill, é nas urnas que podemos manifestar a nossa vontade nas escolhas que fizermos para melhorar, corrigir e renovar; e, se as lições de História nos ensinam que foi a partir da democracia que se instalaram em alguns países regimes déspotas e totalitários, mais uma razão nos assiste para a vigiarmos e defendermos. Frequentemente acontecem explosões de vagas populistas e de desencantamentos democráticos em contextos de incapacidade e impossibilidade de se proporem, definirem e incrementarem alternativas consistentes e mobilizadoras a esses movimentos; e estes sinais de alerta trazem-nos à memória os modelos perversos e castradores do absolutismo monárquico, do comunismo e do fascismo. E se é verdade que qualquer regime aberto e transparente como a democracia mostra os podres que os restantes regimes ocultam, os seus inimigos sabem bem como, através da demagogia, da mentira e da falácia podem minar a sua credibilidade; e, hoje, as redes sociais são um meio viciante, fácil e atraente de intoxicar a verdade e promover a mentira. Ora, sendo a democracia, pelo seu próprio étimo, o governo do povo e para o povo é, aqui, que reside a sua genuinidade, evidência, virtualidade e razão; e certos populistas e demagogos de extrema-direita e extrema-esquerda, sabendo que assim é, não se cansam de se intitularem únicos representantes e defensores do povo, invetivando que são os democratas que o maltratam e exploram. Pois é, Domingo vamos escolher o presidente da República, o presidente de todos os portugueses; e é a nossa escolha que pode ajudar a definir a existência ou não de um futuro melhor, mais justo e mais humano para todos, sobretudo num tempo em que a pandemia nos ameaça com graves problemas económicos, sociais e humanos. Por isso, necessitamos de um presidente que seja a força dinamizadora que faça sair o país da apagada e vil tristeza em que tem vivido e lhe tem quebrado a espinha dorsal dos seus valores culturais, históricos e éticos; um presidente seguro e claro nos atos, como nas palavras, mormente no seu amor à Pátria e ao povo que representa; um presidente firme e mobilizador que afaste deste povo os fantasmas demolidores que se avizinham da fome, da mediocridade intelectual e moral e que ponha novamente em plano de evidência e ação a luta contra a crise de unidade e identidade nacionais que se adivinha face aos efeitos nefastos da pandemia. Agora, para que se concretizem estes desígnios nacionais, vamos votar sem medo, sem tibieza, sem desalento e com esperança e vontade de invertermos o sentido negativo das coisas, dos homens e das instituições: sobretudo, pensando que a abstenção não é solução nem pode sair vitoriosa, porque fundamentalmente favorece o avanço de forças inimigas da democracia e, consequentemente, do povo e do seu futuro de ventura, paz, progresso e bem-estar que se deseja. Votemos, pois, sem fantasmas nem tibiezas, mas com a certeza de que aqueles que muito prometem são sempre os que menos cumprem; e, mais do que isso, à espreita sempre estão de viverem à custa de esquemas fraudulentos e delapidadores dos bens públicos que são de todos nós. Façamos a escolha que melhor assiste às nossas convicções e desejos de segurança, estabilidade, paz e concórdia entre todos os portugueses e de moralização das instituições e da governação do país. E, na dúvida, escolha sempre o que entenda ser menos prejudicial para si e para todos os portugueses, sem egoísmos e partidarismos fanáticos e obsoletos, mas faça-o com esperança, afirmação e vontade; e não se abstenha, porque se o fizer está a dar o seu voto a quem não o merece e a colaborar para a descrença e a menos valia da democracia. Então, vote com alegria, consciência e verdade e até de hoje a oito.
Autor: Dinis Salgado
DM

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20 janeiro 2021