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Uma “super nanny” para dois Bruninhos

  1. Condicionar a série “Super nanny” não terá sido um acto de censura?). Autorizada e exibida em vários países civilizados, o correspondente formato português desta série televisiva não foi permitido sem que as caras dos pais e das crianças envolvidas não tivessem aquele tratamento eletrónico que as torna irreconhecíveis. Na prática, o programa perderia todo o interesse e o canal envolvido desistiu humildemente da sua exibição. O que o Poder alegou para fazer aquelas exigências censórias, foi que os visados “não teriam a sua imagem protegida”; e que, coitadinhos, no imediato e pela vida fora, iriam ser gozados, marcados ou discriminados por tão corriqueiras cenas duma infância rebelde e tão “injustamente reprimida”.

  2. O que pretenderam, terá sido esconder que, sem disciplina não há educação). Realmente, diz a sabedoria popular portuguesa que “de pequenino se torce o pepino”. Isto é, que os condicionamentos disciplinares das pessoas devem ser efectivados desde a mais tenra infância. Caso contrário, criamos fornadas de seres humanos indisciplinados, ignorantes, arrogantes, irresponsáveis e violentos. Os quais acabarão por espalhar pelo Mundo infinitamente mais violência física (e moral…) que aquela que deviam na infância ter suportado. E que os tornaria ordeiros, sabedores, modestos, responsáveis e pacíficos. O modelo proposto pela “Super nanny” punha em causa os absurdos modelos liberais de educação mista; e também os da extrema-esquerda do tipo BE (bem diferente do autoritarismo do PCP, moderadamente estalinista). A violência faz, infelizmente, parte da Vida, o que é preciso é diminui-la. Se se criarem crianças rebeldes que dão ordens aos pais e os” tratam por tu”, o perigo de o futuro trazer guerras e escravidão é bem maior. A pobre da “super-ama” até negociava (e na presença dos pais) os castigos e os prémios, com os meninos. A disciplina é a única maneira de evitar que eles se tornem pequenos “gengis-cãezinhos”, “lucky-lucianinhos”, “adolfinhos”, “trotskinhos”, “bomber-harrisinhos” ou quejandos.

  3. Talvez tenha sido o “jus vitae ac necis” que tornou grandes, Roma e Israel). Em Esparta, na Roma republicana dos primórdios e no tempo dos patriarcas hebreus, os pais tinham o direito sobre a vida e a morte dos filhos menores. É célebre aquela cena bíblica em que Deus (Javé) põe Abraão à prova, ordenando que ele leve o seu filho Isaac para um monte e lá o sacrifique; mas, salvando-o no último momento. Como isto contrasta com a proibição actual de que pais e professores batam nos filhos ou alunos… No meu caso pessoal, só levei uma bofetada do meu pai em duas ocasiões. E asseguro-vos, o efeito da 1.ª vez foi tão eficaz que, já com 12 anos, a 2.ª (em Peniche) me pareceu injusta e um exercício desnecessário de… violência. Ter sofrido a justa violência (castigo) bem cedo, não fez de mim uma pessoa violenta, bem pelo contrário.

  4. Quem devia precisar de uma “super nanny” eram Bruno Nogueira e Bruno de Carvalho…). Quanto ao 2.º, a ideia já foi até, bem lançada pelo programa cómico Portugalex, da RDP, e com montes de piada. Curiosamente ambos se chamam Bruno, que é similar ao nome do chefe gaulês (Brennus) que em 386 a. C. pilhou e incendiou Roma. Bruno quer dizer “urso” ou “castanho” no germânico antigo, com tudo o que isso parece implicar de desordem e, digamos, “excesso de personalidade”…

  5. Ainda bem que existe um Bruno Nogueira…). Para nós, os colunistas e críticos que escrevemos artigos de opinião, ainda bem que permanecem viçosos os programas da dupla de provocadores B. Nogueira-João Quadros. Se todos aqueles desmandos ideológicos e de linguagem são permitidos, isso dá-nos garantia de que os nossos modestos trabalhos nunca poderão pisar alguma norma. É a forma insultuosa com que no início, saúda os ouvintes. É p. ex., o ridículo paternalismo com que na TV entrevistou Quim Barreiros ou Roberto Leal. É o inexplicável e aparente estatuto de excepção de que parece gozar. Ele que, às vezes se refere a si próprio como “Bruninho”…

  6. O incompreensível Bruno de Carvalho). Na qualidade de simpatizante do SCP, do Belenenses e do (antigo) FCP, custa-me criticar Bruno de Carvalho. Porém, ele é que “se põe a jeito”. Usa linguagem desbragada e dispara e provoca em todas as direcções (agora, até para dentro do clube, quando o Sporting liderava o campeonato…). Foi, por não ter oposição de valor, reeleito com 87%. Mas, apenas 1 ano depois (lembra Marcelo em 2001, quando era líder do PSD) quer novos plebiscitos de 75%; senão, diz que vai embora. Prometeu há 5 anos que vinha para ganhar, mas ainda não foi campeão.” Roubou” J. Jesus ao SLB e fez-lhe um contrato milionário, depois de Jesus ter dado 2 campeonatos ao Benfica. Só que, nem sequer percebeu que foram outras as razões do sucesso do SLB: sobretudo ter o grande g. r. Artur, além de Jonas, Luisão, Salvio e Talisca. Não fora Bas Dost, B. Fernandes, Patrício e Bruno César e o SCP ainda estaria pior. Bruno de Carvalho, que é parente próximo do almirante Pinheiro de Azevedo (de Sátão, Viseu), lembra o igualmente desequilibrado Sousa Cintra, que correu maia-Europa atrás do pequeno nigeriano Amunike, o qual nunca rendeu grande coisa no Sporting.


Autor: Eduardo Tomás Alves
DM

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20 fevereiro 2018