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Uma fraca campanha, com fracos políticos

Esta campanha eleitoral para a Presidência da República é das mais estranhas a que temos assistido.

Começa por um candidato que tem tanta notoriedade televisiva que nem precisa de fazer campanha, aliás, como praticamente ocorreu com ele na campanha eleitoral respeitante ao mandato anterior.

Depois há um candidato-sensação, fortemente criticado por todos os lados e objeto – pasme-se – de uma reportagem televisiva contra o partido de que é presidente em período de pré campanha e campanha eleitoral.

Se André Ventura merece muitas das criticas a que é sujeito, como já escrevi aqui muitas vezes, a verdade é que é sobre ele que recai a maior atenção eleitoral e os debates mais vistos foram aqueles que contaram com a sua presença.

As reportagens da SIC sobre o CHEGA teriam toda a razão de ser se fizessem o mesmo – com igual grau de isenção – sobre todos os partidos que suportam as candidaturas presidenciais ou se fosse feita noutra ocasião da vida política do país, longe das eleições.

Como é que a SIC convive há anos com partidos longe da democracia como o Bloco de Esquerda e o PCP e nunca fez algo do género? Aliás, basta observar a vida interna desses dois partidos para se perceber que se há algo que não existe é democracia no seu funcionamento. Nunca há disputa interna, concorrência para os órgãos dirigentes, variedade de opiniões mas apenas gente que segue apenas uma só cabeça.

Sinal claro da fragilidade da nossa democracia, não se percebendo também porque a Comissão Nacional de Eleições não atua.

O que resulta de tudo isto é que apenas reforçam a atenção sobre um partido sem programa, sem consistência ideológica, que reage ao sabor do vento político, e com um líder de uma grande superficialidade, com poder de intervenção mas sem um discurso claro embora popular, que diz, com toda a demagogia, o que certas pessoas querem ouvir.

Aliás, para ajudar ainda mais o CHEGA e André Ventura, a posição de Marcelo Rebelo de Sousa, de total conivência com os governos da geringonça, aliada à posição de Rui Rio que ainda não percebeu que ajudar o país é fazer oposição frontal ao PS e não oposição em colaboração com o governo, pode fazer sair do PSD eleitorado mais conservador e também pode permitir que não se revejam no PSD o eleitorado que votava no antigo CDS de Paulo Portas.

Esse eleitorado perdeu referências e, principalmente aqueles com menos conhecimento político e menos consistência ideológica, votam Ventura porque deixaram de se reconhecer nos políticos em funções.

Cavaco Silva alcançou maiorias absolutas porque votaram nele pessoas mais à esquerda e mais à direita e conseguiu um posicionamento e prática política que atraiu também este eleitorado que pode não ter uma consistência com o PSD mas que votava na social democracia portuguesa.

Outra característica, igualmente para pior, desta campanha, começou nos debates com Ana Gomes que apelidou de “vil” André Ventura e com Marisa Matias que lhe chamou “cobarde”.

Como já escrevi, os partidos de um homem só não resistiram no tempo porque quando dependem de alguém estão sujeitos aos erros cometidos por aquele de quem dependem.

Os insultos recentes e igualmente inqualificáveis de André Ventura a outros candidatos, a maneira grotesca, malcriada, como se quis se referir ao aspeto físico de uma adversária política, os jantares de apoiantes no mais grave período da pandemia, a atitude narcisista de muitos dos seus apoiantes têm colocado André Ventura numa posição mais fraca esta semana do que nas semanas anteriores. E ainda bem para ao país que assim acontece.

Por último, mas também grave o engano de Marisa Maria aos eleitores, quando tenta passar por moderada, apelidando-se de social democrata. Aliás Catarina Martins fez o mesmo também sempre em período eleitoral. Basta observar a repúdio que tem pelos sistema privado da saúde, pela iniciativa privada, pelo lucro ou por outras posições políticas que toma para perceber a mínima ausência de um pensamento social democrata reformista, defensor de uma sociedade forte e com um estado eficiente e eficaz.

Demonstração do comunismo inerente à candidatura do Bloco foi quando Francisco Louça se dirigiu recentemente à Marisa e lhe disse : “Marisa, leva contigo todas as cores do arco-íris, mas coloca o vermelho em Belém“.

Uma fraca campanha, com fracos políticos, num fraco tempo político.


Autor: Joaquim Barbosa
DM

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20 janeiro 2021