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Uma desilusão sem medida

Uma nota prévia: escrevo, como sempre, a título pessoal.

Segunda nota prévia: Desde 1970 assisti a 4 Missas no Rito Tridentino (a Missa em que fiz a minha primeira Comunhão e o Crisma e que me diziam a que nunca deveria faltar e que santificava), quando tive muitas oportunidades para o fazer. Uma por acaso, com meus pais, em Paris, numa igreja tomada pelos lefebristas e que entusiasmou o meu Pai que não era praticante; a segunda, numa capela particular para que me convidaram; a terceira, igualmente, em casa particular e por convite e quarta numa igreja portuguesa.

Nunca pus em dúvida a validade do Novo Ordo Missae, em vernáculo ou em latim e até “suportei” Missas totalmente inventadas pelos celebrantes com cânticos de cabaret ou arraial minhoto. Com paramentos, sem paramentos ou só com alguns. Vi (tenho visto) altares onde se celebra o Santo Sacrifício, “ornamentados” com toda a espécie de objetos como escadas e cestos de vindimas, abóboras e outros “enfeites” análogos. Não é o Novo Ordo Missae!... Mas ninguém proíbe. Entretanto, a “Igreja está em saída” e pouca gente, cada vez mais menos entra.

Terceira nota prévia: Creio firmemente que Bento XVI e Francisco são Papas, com igual dignidade e merecedores de todo respeito. Assim , não percebo de todo, que 14 anos volvidos, com Bento XVI ainda vivo, saia uma Motu Proprio a desfazer o que o Motu Proprio Summorum Pontificum previa e a liberdade que dava aos sacerdotes e aos leigos mais sensíveis ao Rito Tridentino. Uma desilusão sem medida!

Uma desilusão sem medida que me revolta: que se persigam e suspendam Padres por celebrarem o dito Rito, devidamente autorizado pelo Papa anterior. Celebrar a Missa no Rito Tridentino que fez milhares de santos durante séculos e que tanto bem fez a milhares de gerações de cristãos. Bem sei, lembro-me que havia cristãos que rezavam o Terço durante a Missa e que outros seguiam-na por Missais bilingues (guardo o meu). Mas, se as igrejas não tinham amplificação sonora nem, muitas vezes, luz, que haveriam de fazer? Se se acreditava que a redenção tinha ocorrido a Oriente (como ocorreu!) porque razão o celebrante e o povo não deveriam estar todos voltados para o ponto cardeal que nos convida a “orientar-nos”, a meditar no mistério que se celebra na Missa? Contudo aceitamos e compreendemos que os muçulmanos rezem sempre voltados para Meca e de costas voltados uns para os outros! …E que rezem sempre em árabe independentemente da língua do país onde vivem.

Assim, não percebo de todo, e sinto-me revoltado, que o Motu Proprio de Bento XVI tenha encontrado inúmeras dificuldades em ser aplicado por parte de Bispos e

que com o Motu Proprio do Papa Francisco sejam absolutamente duros e implacáveis na sua aplicação, chegando a castigar Padres que ousam celebrar o dito Rito, verdadeiros ditadores incongruentes. UMA DESILUSÃO SEM MEDIDA!

Como disse recentemente um monge cisterciense (Dom Karl Wallner): «Este cristianismo decadente que temos aqui (Áustria, mas podia ser Portugal) não merece continuar a existir» referindo-se à apostasia do Ocidente e à deliquescência doutrinal e litúrgica em que caiu.

E numa crise como esta, nunca vista, parafraseando o Hino da Mocidade Portuguesa: «Lá vamos, cantando e rindo, levados, levados sim…» contemplando a derrota de que somos os únicos culpados.

A guerra que este Papa iniciou com o seu Motu Proprio “Traditionis custodes» está criar a grande desilusão, uma maior debandada de cristãos e a caminhar para mais um cisma. Eu tenho e vivo nestes dias, UMA DESILUSÃO SEM MEDIDA!

Oremus pro pontífice nostrum!


Autor: Carlos Aguiar Gomes
DM

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26 agosto 2021