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Um livro e “chuvinha da boa!”

É quarta-feira, 16 de fevereiro do ano da graça de 2022. A chuva, dada a extrema seca, finalmente vem visitar-nos. É miudinha, faz algum frio e o vento é brando. Mesmo assim, dada a minha condição de reformado, hoje não me apetece sair de casa. Olho pela janela e vejo pequenas gotas de água a deslizarem pelas folhas do arvoredo e a caírem no chão. Está um dia algo cinzento e decido limpar os óculos um pouco embaciados. Mas que dia borralheiro, este! Muito semelhante ao desta minha proveta idade que não me deixa espairecer, nem andar sob as intempéries que outrora me não condicionavam: sair, por aí, indiferente ao clima, fosse ele qual fosse, sem sentir o mais pequeno revés na minha forma física e mental. Olho e volto a enxergar o lúgubre cenário que tenho diante de mim. Depois da habitual leitura do DM, pego num livro – prenda de Natal – da autoria do médico pós-graduado em antienvelhecimento, Manuel Pinto Coelho, que diz como tratarmos da saúde antes da doença: “conhecer as hormonas; aprender a tirar partido do sol e do mar; ter o alimento como o melhor remédio; saber a importância do intestino na prevenção e tratamento das doenças e conhecer o mito do colesterol”. Enfim, dicas sobre como envelhecermos com alguma qualidade de vida. Mas logo volto a pousá-lo. Com efeito, tudo quanto a obra me transmite faria todo o sentido se eu tivesse seguido, desde muito novo, as suas sugestões. Só que para trás foram ficando alguns excessos, muitas condicionantes, um certo laxismo e desconhecimento, à priori, sobre o assunto. Daí, que o autor afirme: – “nós não morremos, matamo-nos”. Depois de voltar a ler mais algumas páginas do livro, faço uma pausa. É hora de almoço. No final, resolvo tomar um cafezinho e vêm-me à memória outros dias em que a invernia era medonha. Contudo, volto a pegar naquele ‘manual de bons procedimentos’ repleto de dicas que o médico, de forma gratuita, me dá. Mas, de novo, olho pela janela no intuito de apreciar a ‘morrinha’ que vai caindo mas decido, de novo, pousar o livro e deixar a leitura para mais tarde. Esta é uma pluviosidade que nem sequer dá para elevar o nível das águas nas represas do regadio quanto mais das barragens hidroelétricas. Em nada comparável aos aguaceiros e ventania, a sério, de tempestades que outrora vivi. Numa espécie de sopro Divino, ou do respirar ofegante de Deus pela Sua preocupação para com os desmandos da humanidade sobre o planeta. Pergunto-me: quantos momentos destes viverei no resto da minha vida? Que outras ocasiões o Senhor me irá conceder para voltar a vivenciar outros dias como este? E que outro momento melancólico, assim, irei sentir daqui para diante? Só Ele o sabe. E enquanto não decide, há que aceitar este tempo propício aos perigosos vírus a que nós, os mai idosos, somos vulneráveis. De repente, há uma aberta e as nuvens, no seu deslizar, passam a cobrir o céu de formas interessantes. Uma réstia do pôr sol ilumina a saleta e devolvo-me à leitura. Porém, o negrume regressa e o final de tarde pôs-se de breu. Mal vejo. Volto a depor a obra sobre a mesa e bendigo: — oh, chuvinha da boa, esta, que nos manda o Rei do Universo! Obrigado, Senhor. Só que um pouquinho mais, vinha mesmo a calhar”. Faz-se noite. Acendo a luz. Janto e, a seguir, decido acabar de ler. Devoro as últimas páginas deste fiel ‘conselheiro’ e chego à conclusão de que há que mudar de hábitos:Comer 1/3 de carne biológica; beber 1,5 L de água por dia; evitar o açúcar; fazer atividade física; fazer modelação hormonal bioidêntica sob controle médico; tomar alguns suplementos base; fazer jejum intermitente; não fumar; evitar refrigerantes; beber 1 copo de vinho tinto por dia, algum chá e respirar ar puro”. Com a importante nota seguinte: “desenvolver altruísmo; capacidade de mostrar gratidão e de não guardar ressentimento”. Ah! Já me ia esquecendo: “Como Chegar Novo a Velho”, é o título do livro. Entretanto decido ir dormir. Saúde, amor e paz. Fiquem bem.
Autor: Narciso Mendes
DM

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28 fevereiro 2022