Para compensar as incompatibilidades, os casinhos e as várias “turras” que vão surgindo na gente da governação, o dr. Costa teve ainda a ousadia de anunciar, no dia 28 de Setembro, um conjunto de quereres e de promessas que ficarão registados nos anais das quimeras socialistas como prova de desnorte e de aflição que vai grassando nesta 3.ª legislatura. Estes “contributos socialistas”, habituais, irrisórios e inócuos para o avanço do país, são o estertor de uma maioria que faz da propaganda ainda o elixir mágico para lhe dar uma imagem de progresso neste tempo de muita incerteza, de alta inflação e de esperada recessão económica. O que vai safar o país é o Orçamento do Estado para 2023 que tem tudo, mas mesmo tudo, para dar certo. Um achado!
1 - Reformas - O pacote de anúncios está englobado num programa de reformas oco, urdido para ficar tudo na mesma e para justificar o imobilismo existente há sete anos. Não se compreende o receio de as incrementar. Será por falta de coragem? De confiança? De arrojo?
Neste andamento, a modernização e a eficiência do Estado ficarão adiadas para melhores dias.
Nem os escritos sábios do prof. Cavaco Silva faz acordar o dr. Costa da modorra que reina neste governo enturrado. Sem um Programa de Reformas competente e exequível o país continuará estagnado e a ocupar a “honrosa” 21.ª posição no ranking do desenvolvimento social na Europa.
2 - Aeroporto - O aeroporto de Lisboa entrou mais uma vez na agenda das grandes obras a executar brevemente. Desta vez é a sério. (?) - dizem eles - E não há mais tempo a perder, se bem estudos e mais estudos continuarão. Urge resolver este problema que se arrasta há mais de 50 anos. A ideia nervosa e esquizofrénica, fermentada por Pedro Nuno Santos (PNS), é querer avançar com o aeroporto e a todo o gás. Chega de “fait-divers” e de simulações unipessoais com anúncios televisivos pomposos como aquele em que o ministro da tutela, à “revelia” do dr. Costa, despachou oficialmente o plano da construção da estrutura aeroportuária em Alcochete com o desmantelamento a prazo da Portela. Essa encenação caricatural enquadrou-se numa postura incrível de arrogância de PNS, político possuidor de um ego estratosférico. Só tem treta!
3 - A linha e o TGV - O famoso e esperado comboio da alta velocidade, vai “sair” da gaveta socrática brevemente. Por paradoxo dos tempos e das políticas e num trejeito de incoerência ideológica, este grande investimento será levado a cabo (?) com o recurso às célebres e famigeradas PPP’s - Parceria Público-Privado. Recurso financeiro de má memória, amaldiçoado e combatido sem tréguas pela esquerda. Noutra linha de abordagem, a ferrovia sofrerá uma “revolução”, no dizer de PNS. O governo prontifica-se a modernizar a estrutura ferroviária no seu todo e agilizar a mobilidade com a aquisição (?) de 137 automotoras até 2026 para as pôr a circular pelo país inteiro. A principal aposta deste governo, segundo o ministro PNS, vai na linha: ferrovia, ferrovia, ferrovia. E não há volta a dar. Vamos ver onde isto irá parar. Certamente, nada!
4 - Um governo em desnorte - Tanto anúncio significa que o governo nacional não está em forma. Nunca esteve, verdade seja dita. Para esconder a realidade real, tem usado em demasia conceitos serôdios como o “virar da página da austeridade”, “palavra dada, palavra honrada” e outros do mesmo quilate, só que isso já não diz nada a ninguém. O pessoal já percebeu que esta treta tem barbas. Contudo, foi através da ilusão e dos 10 euritos, como oferta, que tem conseguido tanger o país. E, deste ciclo fantasioso, não tem sido capaz de se desenvencilhar.
O governo tem lidado mal com a verdade. Empinou toscamente a ideia da “direita” das “contas certas”. Nesta onda, eu não compreendo como se pode falar em “contas certas” com tamanha dívida pública em cima do lombo. Claro que esta argumentação não é para levar a sério!
5 - Absoluto, absolutamente! Agora com a maioria absoluta pensava-se que o país entraria finalmente na rota da boa governança, da coesão social e da realização de obras. O dr. Costa prometeu uma maioria com diálogo, mas, contrariamente ao prometido, o partido tem impedido que os seus ministros sejam ouvidos no Parlamento para explicarem alguns “pecados” que têm cometido. Com esta postura, de medo e de insegurança, o dr. Costa passa a ideia de ser um líder fraco. Sem coragem como o rotulou o prof Cavaco num dos seus lúcidos artigos.
O chefe do PS ainda pensa que governar é usar “habilidades”, manhas ou truques, quando governar é agarrar o país, senti-lo, empurrá-lo com exemplos e práticas assertivas e rigorosas.
Autor: Armindo Oliveira