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Um estranho silêncio… ou talvez não

1 – Foi notícia largamente expandida na comunicação social o assassinato e violação de uma freira católica em S. João da Madeira (Portugal!!!). O homicida, de 44 anos, já havia sido condenado duas vezes por violar uma jovem de 18 anos em S. João da Madeira e uma mulher francesa, acompanhada do seu bebé, em Pombal.

2 – E a grande estranheza começa aqui: como é que um homem com estes antecedentes circula livremente entre pacíficos e desprevenidos cidadãos?

O Procurador do Ministério Público que interveio no seu segundo julgamento, chamou a atenção para os antecedentes: por violar uma mulher francesa já fora condenado a 9 anos de prisão; saindo, em liberdade condicional dois meses depois violava uma jovem de 18 anos. Por isso alertava para a sua perigosidade e alto risco de reincidência. Consequentemente, pedia uma pena nunca inferior a 20 anos. Mas a Relação do Porto aplicou-lhe 16 anos. De novo em liberdade, voltou a violar e… a matar.

3 – A freira, Maria Antónia Pinho, desde os 21 anos que dedicava a sua vida à Igreja e a prestar ajuda directa aos mais necessitados. Foi assim que conheceu o homicida que estava registado num programa de apoio a toxicodependentes, no qual colaborava a freira assassinada. Um dia deu «boleia», na sua moto, ao homem que a convidou a entrar em sua casa. Aí teria pretendido violá-la e, como ela resistisse, estrangulou-a e violou-a depois – segundo os relatos, com pequenas variantes, aparecidos na comunicação social.

4 – A confirmar-se tudo isto, estamos em presença, não só de um criminoso, mas também e sobretudo, de um perigosíssimo doente mental – a confirmar, tardia e tragicamente, os sensatos e prudentes alertas do Procurador do segundo julgamento. Pela sua previdência, prudência, atilado sentido de defesa da sociedade e coragem para propor «grandes remédios para grandes males», quero aqui deixar o seu nome – Dr. Carlos Pereira.

A negligência da Justiça a tratar deste caso mereceu do Bispo do Porto, D. Manuel Linda, um comentário que diz tudo: «O sistema judiciário falhou redondamente. Alguém tem de ser responsabilizado por isto». Impossível dizer mais e melhor em tão poucas palavras.

5 – Mas a maior estranheza não é a deste falhanço (já estamos habituados). A maior estranheza é a do silêncio! Do grande do enorme silêncio (a esse não estamos habituados) de todas as organizações feministas do país e de partidos políticos geneticamente empenhados na defesa das mulheres. Os mesmos que tanto ruído fazem (e bem, muito bem) com os casos de violência doméstica. Mas neste caso… silêncio. Absoluto.

6 – Porquê? Porque não consideram a freira uma mulher? Ou porque não a consideram uma das suas? Ou porque a violência masculina só o é se for praticada por marido ou companheiro? Por horror à vida livremente consagrada? Porque uma religiosa não tem os mesmos direitos e dignidade das outras mulheres? Por anti-clericalismo?

Porquê este silêncio, esta não-indignação? Com certeza não sei. Mas suspeito que seja por um explosivo «cocktail» de tudo isto – sectário, mesquinho, autocrático e, por isso, anti-democrático.

Nota: por decisão do autor este texto não obedece ao impropriamente chamado acordo ortográfico.


Autor: M. Moura Pacheco
DM

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28 setembro 2019