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Trará o Ano Novo um Tempo Novo?

Tendo entrado já no Ano Novo, quem não gostaria de também ter ingressado num tempo novo, num mundo novo?

Sem pandemias nem incertezas, quem não gostaria de se ver livre de todas as vilezas que, na vida, se nos vão atravessando?

Estamos a ser fortemente testados e não apenas pela COVID-19. À prova estão também a nossa resiliência, a nossa persistência e a nossa paciência.

É vital que lutemos contra todos os vírus, não esquecendo o «egovírus», que tantos estragos tem feito.

Um tempo novo não há-de deixar para trás apenas os vírus da natureza.

É urgente remover também os «vírus» que contaminam a humanidade. É hora de olharmos para o outro como um irmão e não como um rival ou adversário a abater.

Este é um momento em que nos sentimos habitados pela incerteza e, ao mesmo tempo, tatuados pela esperança.

Receamos que o futuro seja sombrio, mas, lá no fundo, acalentamos o sonho de que o amanhã possa ser mais sorridente.

5. A esta hora, palpita-nos que o presente ano será difícil. Mas nem assim deixamos de porfiar para que ele possa ser melhor.

O verbo que mais vem à superfície da lembrança é «passar»: não só «passar» de ano, mas também – e sobretudo – (ultra)«passar» todo este pesadelo.

Porventura, poucas vezes teremos sido atropelados por tantas dificuldades. Mas nem as dificuldades deixarão de ser o portal de novas possibilidades.

Eberhard Jungel avisou: «Quanto maiores são as dificuldades, tanto maiores são as possibilidades».

A felicidade não advém da facilidade. O que vale custa. O que custa vale. Os problemas serão grandes. A vontade de os vencer terá de ser maior.

A «invasão do pessimismo», a que alude Jean Delumeau, não nos pode contaminar nem derrotar.

É nestas alturas que temos de convocar as energias da esperança. Não podemos descrer nem capitular. Os problemas existem não para nos vencerem, mas para serem vencidos.

Há que investir todas as energias na busca da nossa verdadeira vocação: enquanto pessoas e enquanto comunidade. «A humanidade inteira –escreve Jean Delumeau – tem uma vocação e cada um de nós é chamado a um destino que deve levá-lo até Deus».

No fundo, trata-se – em sintonia com o que defendia Teilhard de Chardin – de «pancristianizar o universo».

É esta, como recomenda John Eccles, a nossa autêntica natureza: «Procurar a esperança na busca do amor, da verdade e da beleza».

E é assim que o novo ano pode não ser o melhor, mas nós poderemos ser melhores no ano novo.

Por isso, que não seja só novo o ano. Que seja nova a vida. Sobretudo a nossa vida!


Autor: Pe. João António Pinheiro Teixeira
DM

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5 janeiro 2021