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“The old Orange flute”

  1. Gostos não se discutem”?). Um dos ditados portugueses de que costumo discordar é o de que os “gostos não se discutem”. A minha versão seria: “devem, dentro do possível, respeitar-se os gostos dos outros, mas tal nunca pode impedir a discussão sobre esses gostos”. Por não se discutir livremente a Estética (e agora também, a própria Moral e a Ética) é que as Artes, incluindo a Arquitectura (e o próprio Mundo) têm mergulhado na confusão e decadência geral em que vivemos. Eu próprio costumo dizer que não tenho obsessões políticas, religiosas ou clubísticas; porém, as minhas únicas obsessões, os meus “castelos filosóficos” são os estéticos, desses não abdico. Vem tudo isto a propósito do anunciado noivado do príncipe Henry (ou “Harry”) de Inglaterra com uma afro-americana divorciada e com nacionalidade estadunidense. A qual, ainda por cima, não é nenhuma Serena Williams ou Queen Latifah ou Whitney Houston; sequer, nos seus bons tempos, uma Mara Abrantes ou Elza Soares. É apenas uma mulher de 36 anos com aparência e dotes vulgares. Pela parte da mãe, é descendente de escravos; mas também de um cavalheiro do séc. XVI que teve o azar de ser decapitado pelo “saudoso Henrique VIII”. Ao escolher esta noiva, Henry provavelmente enterra de vez o seu futuro político. Até porque despreza e rejeita acintosamente todas as ardentes candidatas do seu país (milhares de moças lindíssimas, de vários géneros e feitios). É que, não desfazendo das nossas portuguesas, as britânicas são das mulheres mais bonitas do Mundo.

  2. Duas professoras de inglês no Porto). Recordo aqui J. K. Rowling, que nunca foi minha professora mas que há bastantes anos passou pelo Porto numa fase difícil da sua vida, bem antes de se tornar milionária por ter escrito aquele lixo estético (e ético) da “saga” Harry Potter. Não era especialmente bonita e esteve casada cerca de 1 ano com um portuense que morava entre o jardim de S. Lázaro e Campanhã (bem perto do meu antigo amigo dr. Rui T. Neves). A 2.ª inglesa que aqui recordo foi minha professora de inglês no Inst. Britânico, ali na rua do Breyner, uma transversal a Cedofeita. À época, eu era um envergonhado adolescente, ainda incapaz de exprimir os seus sentimentos. Mas andava deslumbrado (e quase submetido) pela robusta beleza germano-céltica incarnada na dr.ª Katherine Anne Short, com os seus 28 anos, recém-transferida da Turquia para o Porto e que morava (ainda não esqueci) numa transversal à rua Ant.º Patrício. A cara perfeita, redonda e rosada, as formas corporais que eu considerava ideais, uma pele clara que, aqui e ali se cobria de sardas e fino cabelo alourado. Se, por motivo da correcção dos meus textos, ficava demasiado perto dela, não conseguia concentrar-me, só lhe admirava a beleza… E esta teria sido a 1.ª inglesa que me fascinou os sentidos.

  3. Armar-me em Magriço, agora…). Mas miss Short não foi a única britânica que ficou para as minhas memórias futuras. Entre outras, lembro-me agora de várias beldades inglesas com quem em vários verões me cruzei na praia da Rocha. Ou duma que, acompanhada do marido, observei num dos aeroportos de Londres. Ou a graça de duas jovens a caminhar, descalças, num dia chuvoso numa rua dos arredores de Carlyle, lá no noroeste, em Cumberland. Ou de certa escocesa (de Kirkcaldy) por quem há mais de 20 anos andei meio apaixonado e de quem só não me aproximei porque ela vivia em Long Island (N. York). Tão belas, as britânicas, mas não têm quem as defenda… E aparece agora este príncipe, Henry, que despreza deste modo a sua raça, é incrível. Acomete-me decerto o mesmo impulso que, no séc. XV assoberbou Álvaro Gonçalves Coutinho (o “Magriço”), o qual, com “os 12 de Inglaterra” (o episódio vem nos Lusíadas) defendeu num torneio certas damas inglesas, salvo erro em Londres.

  4. Aristocratas amestrados). Eu reconheço que Henry tem o direito de se apaixonar por quem bem lhe apeteça. Porém, o meio social (aristocrático e real) no qual nasceu, não lhe permite certas escolhas. Nos anos 30, o recém-entronizado Edward VIII (um rei bastante informal, “bon-vivant”, popular mas com simpatias fascistas) colocou-se a jeito de ser afastado do trono, só porque casou com uma americana branca mas divorciada. Henry foge ainda mais “à cartilha”, embora as reacções oficiais da família real sejam de um contentamento notoriamente hipócrita. A palavra grega “aristocracia” quer dizer “poder” (kratos) dos “melhores”(aristoi). Nas monarquias de hoje, contudo, o governo não é dos reis ou condes; nem reis e condes são “os melhores”, especialmente se os príncipes ficam noivos de pessoas notoriamente, digamos, alieníganas (desligadas biologicamente da “nação”). Revisite-se, p. ex., a saxónica etimologia de “king” (ligado a “kin”, espécie, género, tribo); e de “queen” (esposa e o órgão anatómico feminino).

  5. Comemorações maçónicas e paraísos fiscais). Falhadas as comemorações dos 300 anos da Maçonaria na Catalunha, será que este noivado é um sucedâneo, na Inglaterra? Ou será que é moeda de troca para que os recém-descobertos pecados fiscais da rainha não tenham o legal seguimento?

  6. The old Orange flute”). Nesta engraçadíssima canção dos Dubliners (e dos velhos Clancy Brothers) conta-se a história dum tal Bob Williamson, protestante do Ulster que casou com uma católica e foi viver para um condado católico. Ora Bob tinha uma flauta que nos desfiles do 12 de Julho (travessia do rio Boyne por William III) tocava na banda protestante. E reza a lenda que, na missa católica a dita flauta se recusou a funcionar. E assim se manteve. Moral da história: apesar de todas as conspirações e ataques actuais contra as nações europeias (federação na UE, baixa natalidade, degradação estética e moral, imigração macissa de gente de terras longínquas, “desensino” da História, imposição da cultura única do “multiculturalismo”, etc.), as nações produzirão sempre heróis que recusarão a submissão e no fim, triunfarão.


Autor: Eduardo Tomás Alves
DM

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12 dezembro 2017