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Serviço aos doentes

1. O doente é um ser humano que, em resultado das circunstâncias em que se encontra, deve ser objeto de cuidados especiais. Isto, que devia ser um princípio aceite e praticado, na prática não o é, em relação a todos. Todos somos iguais, mas possuímos carteiras e padrinhos diferentes, e isto tem como consequência a existência de uns seres humanos mais iguais do que outros. E nos cuidados de saúde é uma realidade. Não o assumem publicamente, mas a verdade é a existência de uma saúde para os ricos e outra para os pobres. Há doentes de primeira e doentes de segunda e terceira. 2. A atenção aos doentes deveria ser um serviço e não uma fonte de lucro. É evidente que os profissionais de saúde devem ser devidamente remunerados. É evidente que os cuidados de saúde exigem equipamentos dispendiosos. É evidente que os laboratórios farmacêuticos têm despesas. Mas que um doente pobre não seja marginalizado enquanto um ricaço é rodeado de todas as atenções. A correta gestão dos dinheiros públicos não deve deixar de ter em conta o serviço a prestar aos doentes, também aos de pouca ou nenhuma capacidade económica. É pena andarmos a formar profissionais de saúde que vão servir em países que neles nada investiram quando podiam fazer aqui um belíssimo trabalho. 3. Na mensagem para o próximo Dia Mundial do Doente, que se celebra domingo, o Papa Francisco alerta para «o risco de uma mentalidade empresarial, que em todo o mundo quer colocar o tratamento da saúde no contexto do mercado, acabando por descartar os pobres». «Ao contrário, acrescenta, a inteligência organizativa e a caridade exigem que a pessoa doente seja respeitada na sua dignidade e sempre colocada no centro do processo de tratamento». 4. O doente deve ser servido. Com humanidade, e não apenas com competência técnica. Com carinho. Não se trata um doente como um objeto qualquer, mas como um ser humano que realmente é. O trabalho dos profissionais que adotam o Evangelho como regra de vida deve ser exemplar, tendo em conta a recomendação de Jesus: o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes (Mateus 25, 31-40). Mesmo em fase terminal, o doente não deixa de ser uma pessoa. É desumano abandoná-lo. Há que prestar-lhe os cuidados paliativos a que tem direito. E o facto de isto ser dispendioso não legitima o recurso fácil, barato e cómodo à eutanásia, a que agora preferem dar o nome de morte por antecipação. Em lugar de se preocuparem tanto com a qualidade da morte concentrem atenção e meios na qualidade da vida. 5. A assistência aos doentes deve atender à pessoa humana na sua globalidade. Respeitando a liberdade e as legítimas opções de cada um, não deve privar os doentes que o desejem do necessário conforto espiritual, que se não limita ao nem sempre existente apoio psicológico. A pastoral da saúde, lembra o Papa na referida mensagem, «permanece e sempre permanecerá um dever necessário e essencial, que se há de viver com um ímpeto renovado começando pelas comunidades paroquiais até aos centros de tratamento de excelência». 6. A visita regular aos doentes, independentemente da sua prática religiosa, faz parte da atividade pastoral da Igreja e não deve ser relegada para um segundo plano. «A caridade dos cristãos, escreve o Papa, deve estender-se a todos quantos passam necessidade, simplesmente porque são pessoas, filhos de Deus». Que nenhum doente seja privado da necessária assistência espiritual, que de forma alguma se reduz à celebração comunitária da Santa Unção, por ocasião da visita do Bispo à paróquia ou de uma peregrinação anual. Um doente impossibilitado da participação na Eucaristia dominical nem por isso deve ser privado de receber a Sagrada Comunhão. Essa é a grande tarefa dos Ministros Extraordinários da Comunhão. É evidente que estes não podem dar a absolvição sacramental, mas compete-lhes serem uma presença da comunidade junto do doente e informarem o sacerdote sempre que o doente, no uso da sua liberdade, solicite a sua presença.
Autor: Silva Araújo
DM

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8 fevereiro 2018