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Sem critérios

A primeira parte da temporada desportiva está a caminho do seu fim. É que este ano disputa-se um Mundial, no longínquo Catar, num calendário que deveria envergonhar quem escolheu este local aberrante devido ao contexto global, desde a sua escolha até à construção dos modernos estádios, que implicaram a perda de muitas vidas humanas, uma vez que foram construídos debaixo de um manto de escravatura que deveria embaraçar as entidades responsáveis. Pelo exposto, as ligas europeias sofrerão um interregno em breve, havendo um antes e um depois dessa paragem das competições. Nem tudo irá parar, dado que em Portugal se irá disputar a Taça da Liga, disputada em moldes diferentes nesta temporada, o que ajuda na manutenção de alguma rotina competitiva nas equipas e evita que seja necessária a realização de outra pré-época. O SC Braga, vindo de uma derrota tangencial em terras alemãs, frente ao Union Berlin, para a Liga Europa, deslocou-se a Barcelos, para defrontar o Gil Vicente, que está aquém das expectativas criadas no início da temporada. Os arsenalistas continuarão a competir na fase a eliminar das competições europeias, restando saber se isso ocorrerá na Liga Europa ou na Liga Conferência, o que ficará definido esta noite, quando receberem o Malmo. Falhado o objetivo inicial de terminar o grupo em primeiro lugar, a equipa de Artur Jorge pode acabar por ficar em terceiro lugar com dez pontos, algo que não acontece muitas vezes. A deslocação ao reduto dos galos prometia uma verdadeira peregrinação de braguistas, motivados pela carreira interna da equipa e pelos escorregões de dois dos rivais da frente da tabela classificativa, pois o FC Porto tinha empatado nos Açores, frente ao Santa Clara, e o Sporting tinha perdido em Arouca. A bancada Norte do estádio gilista assistiu a mais uma demonstração de apoio incrível, onde o ambiente criado ajudou sobremaneira na obtenção da vitória pela diferença mínima, o que atesta bem as dificuldades que os galos colocaram aos Gverreiros do Minho. No final os sorrisos foram para os braguistas, que regressaram a casa felizes pelo triunfo conseguido. Uma nota adicional para o momento em que Kritciuk, guarda-redes russo dos gilistas que representou o SC Braga, teve uns instantes lindos de interação com os adeptos braguistas, que ainda parecem seus também. Antes, porém, houve o tradicional momento da comunhão final entre adeptos e equipa, que juntos celebraram a conquista e a chegada ao segundo lugar, agora sem companhia. Para terminar vou falar de uma arbitragem sem critérios, tanto cá dentro como lá fora, como se viu na Alemanha em que um penálti descoberto pelo VAR decidiu o resultado, numa mão de Fabiano que teve tanto de existente como de involuntária. Um lance análogo, a nível interno, ocorreu no dérbi frente ao Vitória SC, sem qualquer penalização. Ainda na liga há dois lances de falta clara sobre Ricardo Horta, frente ao Chaves, de modo escandaloso, e frente ao Gil Vicente, de modo evidente. Não se percebe como o VAR não atuou nestes lances, revelando total ausência de uniformidade nas decisões das diferentes arbitragens, que urge corrigir, a bem da parca verdade desportiva existente. Pede-se seriedade e isenção.
Autor: António Costa
DM

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3 novembro 2022