Como consequência da passagem dos Alanos e dos Vândalos a África, os Suevos, que se tinham estabelecido no noroeste da Península – Minho e Galiza atuais – conseguiram estender a sua hegemonia para sul, através da Bética, Lusitânia e Cartiginense. Porém, a velha província da Gallaecia, conservava-se como centro da monarquia Sueva. Nas restantes zonas da Península, então ocupadas, encontravam-se eles em manifesta minoria relativamente aos Hispano-Romanos.
Importa salientar que os Suevos, ainda antes de invadirem a Península já haviam aceitado o Cristianismo sob a forma herética ariana. Mas, algum tempo depois, em 448, no início do reinado de Requiário, converteram-se ao Cristianismo. Os Visigodos apenas realizaram esta conversão cento e cinquenta anos depois, ou seja, no tempo de Recaredo.
Alguns autores estimam o número de Suevos em 150 mil pessoas. Outros, porém, quedam-se nos 35 mil.
Importa introduzir aqui a influência de S. Martinho de Dume (panónio ou húngaro), homem dotado de vasta cultura, que veio para a Península, como missionário, a solicitação dos reis suevos, a fim de combater as heresias que novamente difundiam entre o seu povo. Tendo chegado à Galécia pelo ano de 520, tornou-se bispo de Dume e de Braga.
Foi sem dúvida, o grande Conselheiro dos monarcas suevos católicos, encontrando-se na base da reorganização política do seu reino, além de ter estruturado a província eclesiástica de Braga.
Tomou parte relevante nos dois primeiros Concílios de Braga, realizados em 561 e 572, tendo presidido ao realizado em 572. Além de bispo de Braga, foi fundador do mosteiro de Dume e propagador do movimento monacal nesta região da Península.
As obras que deixou escritas dividem-se em ascético-morais, canónicas e mesmo poéticas. É importante salientar a sua produção relativa ao direito canónico. Foi autor dos “Capitula a Martini”, uma coleção de 84 cânones de concílios orientais, italianos, africanos e gauleses, que traduziu e completou em 563.
PS - Aproveita-se a ocasião para corrigir um erro que ocorreu no meu artigo anterior, com o título “Uma escultura de D. Afonso Henriques a colocar em Zamora”, relativamente às capitais da Gallaecia e da Lusitânia, respetivamente Bracara Augusta e Mérida.
Autor: Narciso Machado
S. Martinho de Dume na história sueva (409-585)
DM
5 novembro 2022