twitter

Revolucionar o futebol português (3)

É altura de mais um artigo nesta série de sugestões a serem consideradas na necessária mudança do futebol em Portugal.

Como ponto prévio, gostaria somente de referir que defendo, como um dos aspetos mais relevantes na desejada mudança, a participação dos adeptos na produção de recomendações. São eles o fim último. Ou melhor: deveriam ser. Têm de passar a ser.

Posto isso, e dando seguimento aos dois anteriores artigos, apresentam-se, de seguida, mais algumas medidas que entendo serem cruciais para uma mudança que se pretende profunda e bastante radical.

(Na sequência dos 5 pontos dos dois artigos anteriores:)

6: Dar então voz aos adeptos na gestão dos clubes. Os adeptos são de vital importância para o futebol, e devem ser ouvidos em assuntos de extrema importância para a sustentabilidade e em questões de preservação do património dos seus clubes. Assim sendo, os adeptos deverão ter poder de veto para mudanças como o nome do clube, as suas cores, o estádio, alterações acionistas na sua SAD, etc. Para tal, é fundamental que haja (seja criada a função de) um representante não executivo na Direção dos clubes e SAD. A ideia seria dar mais poder ao adepto para acompanhar o dia a dia do clube.

7: Constituição de uma entidade independente que englobe a arbitragem e a comissão de elaboração dos regulamentos disciplinares. A coação, a intimidação e a falta de coragem têm estado sempre presentes no futebol português, pois a mentalidade do dirigismo no futebol, sobretudo nos clubes com alguma predominância, continua a entender que as vitórias não são fabricadas em campo, por jogadores e treinadores, e em competição justa e saudável. Definitivamente, os clubes não podem ter a faculdade de aprovar, em causa própria, os regulamentos disciplinares (devem, sim, ser consultados), e a arbitragem não pode ter dependência da Federação de Futebol e de certa forma da Liga Futebol.

8: Criação do Tribunal do Desporto. Não vale a pena tecer grandes considerações sobre a justiça desportiva, pois é evidente para todos que é morosa, não é justa (pois favorece os clubes dominantes), e, sobretudo, não é independente. Neste momento, existe a comissão de instrutores, o conselho de disciplina, o tribunal arbitral do desporto e o tribunal central. Está panóplia de entidades provoca atrasos inadmissíveis na aplicação da justiça desportiva. O que se propõe é a criação, pelo Governo, de um tribunal do desporto, que englobe a comissão de instrutores e o conselho de disciplina, pois só desta forma serão independentes – tribunal esse que decidiria em última instância, e que certamente aplicaria com rapidez as suas decisões.

O futebol une amigos, famílias e comunidades, sendo urgente a tomada de medidas que garantam o seu futuro em Portugal.


Autor: João Gomes
DM

DM

20 outubro 2022