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Responsabilidade e solidariedade. Impedir a terceira vaga

Na atual situação pandémica que nos confrange e refrange, a palavra de ordem é: todos responsáveis, todos solidários, ou seja cumprindo a máxima latina de um por todos e todos por um; só esta será a melhor e mais eficaz arma de obstarmos medidas mais drásticas e dolorosas de combate à Covid-19.

Ninguém ignora certamente que, ao longo da História, somente este lema, esta norma de procedimento levou povos e nações, nas conjunturas mais aflitivas, às patrióticas afirmação e demonstração da sua grandeza e unidade; por isso, este é o momento de cerrarmos fileiras em prol desta causa comum e mostrarmos que somos capazes e grandes quando chamados à luta.

Pois bem, pasmo que, aquando da aprovação na Assembleia da República do estado de emergência, houvesse partidos a votarem contra esta medida (Partido Comunista, Verdes e Iniciativa Liberal) e outros a absterem-se (Bloco de Esquerda, PAN e Chega) e somente o PS, o PSD e o CDS/PP aprovassem a medida; ora, sabendo que a população idosa é a mais flagelada pelo vírus, a atitude destes seis partidos faz-me lembrar os tempos do PREC (Processo Revolucionário Em Curso - 1975) em que se dizia que os comunistas, para arrumar com os velhos, lhes davam uma injeção atrás da orelha, numa clara demonstração de desprezo e desvalia por esta população idosa.

Agora, nem tudo, desde o início desta calamidade, o que se fez se fez bem e foi suficiente para combater eficazmente este inimigo comum; sobretudo escasseou informação, explicação e reforço de medidas e formas de o combater por parte dos poderes institucionais e entidades privadas e sociais; e, como tal, a atuação foi frouxa nos espaços de maior contágio (ajuntamentos sociais, centros comerciais, transportes públicos, ginásios, restaurantes e cafés); e a desejada firmeza devia nascer do apoio e incentivo de todas as forças políticas e sociais, fazendo chegar a todos os portugueses o sentimento de perigosidade e gravidade da situação que, então, o país já vivia.

Temos claramente velejado um tanto à deriva, desunidos, desapoiados e às apalpadelas no combate à Covid-19; e umas vezes ignorando a sua traiçoeira e inconstante forma de atuar, receando a tomada de medidas mais restritas e drásticas, porque mais desagradáveis à população e, sobretudo, afastando as instituições privadas e sociais de saúde do apoio que podiam prestar nesta situação e, assim, saltitando fomos do estado de emergência e de calamidade para os estados de contingência e alerta com demasiada ligeireza, irresponsabilidade e inêxito.

Pois é, se tivéssemos seguido o exemplo de alguns países que nos precederam na luta contra a pandemia, mais racionais, perentórios, preventivos e resilientes seríamos nas medidas a tomar e a manter; é que o povo tem de perceber, intuir e aceitar que está em jogo a vida de todos, que ninguém é imune ao vírus e, mormente, que a crise económica e social que já nos flagela se complicará, levando o país à hecatombe com o desemprego, a miséria e a fome a aumentarem vertiginosamente.

Assim, se queremos vencer e salvar as nossas vidas e dos nossos semelhantes, temos de ser responsáveis, solidários, vigilantes e resilientes, como verdadeiros soldados no campo de batalha; e mantermos sempre acesa a chama da esperança, de muita esperança, de que os sacrifícios que nos são pedidos, exigidos mesmo, devem ser por todos nós aceites e exercidos, como única forma de atacar, prevenir e vencer a pandemia.

Se assim procedermos e agirmos, seguramente venceremos e o amanhã nos sorrirá novamente; até porque temos de acreditar que em todas as calamidades, mormente em todas as pandemias, sempre a Humanidade superou as provações daí resultantes, através da prática da esperança; até porque uma coisa é certa: se repetirmos os erros anteriores e aliviarmos demasiado as mediadas e os comportamentos, isto é baixarmos as armas e relaxarmos, sermos menos responsáveis e solidários, podemos ter de enfrentar uma terceira vaga bem pior que as anteriores.

Então, até de hoje a oito.


Autor: Dinis Salgado
DM

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18 novembro 2020